O Ministério da Saúde elege o mês de agosto para sensibilizar a comunidade acerca do aleitamento materno, trata-se do ‘Agosto Dourado’. A cor dourada está relacionada ao padrão ouro de qualidade do leite materno, a bandeira do aleitamento materno enquanto a mais sábia forma de ampliar vínculo, afeto, proteção e nutrição para a criança. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a amamentação é uma forma inigualável de promover o crescimento e desenvolvimento infantil, é uma fonte nutricional, imunológica, e afetiva plena (WHO/UNICEF,2018).

Diante da pandemia da COVID-19 surgiram questionamentos acerca da recomendação do aleitamento materno. O coronavírus (vírus SARS-CoV-2) pode ser transmitido pelo leite materno? Não, até o presente momento, não há evidências científicas que sustentem a transmissão do vírus pelo leite materno. Assim, ao colocar em relação a magnitude dos benefícios do aleitamento materno e os riscos potenciais de transmissão do vírus, ele segue sendo recomendado, independente se a mãe é assintomática, suspeita ou confirmada para a COVID-19. Nas mulheres sintomáticas ou que tenham contato domiciliar com pessoa com síndrome gripal ou infecção respiratória comprovada, os cuidados de higiene e medidas de prevenção de contaminação são essenciais. O Ministério da Saúde brasileiro segue a aconselhar que ‘a amamentação seja mantida em caso de infecção pela SARS-CoV-2, desde que a mãe deseje amamentar e esteja em condições clínicas adequadas para fazê-lo.’

Além disso, um aspecto que os profissionais de saúde precisam dar acolhimento em tempos de pandemia, é dar suporte para que a amamentação efetive-se enquanto uma experiência positiva.

Um dos grandes desafios ao aleitamento materno, sobretudo nos tempos iniciais de seu estabelecimento, é o alcance de uma experiência positiva nele. É comum a mulher sofrer pressões de distintas ordens, seja de profissionais, de familiares, da comunidade como um todo e de si mesma. As interações sociais com estes agentes precisam estruturar-se como de suporte, ter alcances tanto informacional quanto emocional, de empoderamento. Alcançar o bem estar e conforto durante a prática é essencial para que todos os benefícios ocorram de fato. A amamentação precisa se efetivar como uma ocupação prazerosa.

Em Terapia Ocupacional, o termo “ocupação” se refere às mais diversas atividades cotidianas que as pessoas realizam em comunidades, família ou individualmente. Essas ocupações englobam o que as pessoas precisam, querem e estão esperando fazer. A amamentação é um exemplo de atividade de vida diária significativa, é uma atividade recíproca e socialmente interativa, nela cabe o envolvimento da mãe, do bebê, do pai, dos irmãos e de outras pessoas. O aleitamento materno introduz a construção de um relacionamento de apego no cotidiano, é uma atividade que garante momentos de trocas, através do contato olhos nos olhos, pele a pele, estimulação tátil e linguagem carinhosa, até mesmo através do cantar. Abraçar, brincar, embalar, olhar atentamente e acariciar o bebê durante a amamentação são excelentes formas de interações humanas que promovem segurança e satisfação naqueles que com ela se envolve.

É comprovado que este bem-estar estimula o fluxo de bons hormônios, como a ocitocina, oportuniza sentimentos de segurança e proteção na criança e de realização da mulher e de quem compõe a interação, garantindo satisfação para desempenhar o papel ocupacional de tornar-se mãe e/ou pai (PITONYAK,, 2014), em especial nestes tempso de pandemia da COVID-19. Nesta direção, é relevante a suspensão de julgamentos, avaliações, cobranças que só conduzem a sentimentos negativos e intervenientes do pleno envolvimento e prazer na ocupação de amamentar.

A experiência positiva na amamentação conduz a uma produção mais plena de leite e chances dessa mulher doar leite materno. Bancos de leite clamam por esta prática e a pandemia e os mitos que com ela surgem podem afetar o estoque deste alimento tão caro e específico à criança, sobretudo aquelas nascidas de risco. Acesse este link para conhecer os apontamentos de Karine Silva e Silva, enfermeira do Banco de Leite de São Carlos/SP.

Em tempos de pandemia fique alerta acerca do modo como interage com mulheres nutrizes, promova e suporte a mesma para que alcance uma experiência positiva na ocupação da amamentação.

Indicação de material educativo.

 

REFERÊNCIAS

AMARANTE, C.F.S.; CASTANHEIRA, J.M.M. Aleitamento Materno e Terapia Ocupacional: Revisão Integrativa da Literatura . 2014. Disponível em: http://www.eeffto.ufmg.br/eeffto/DATA/defesas/20180206094804.pdf

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: nutrição infantil: aleitamento materno e alimentação complementar / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2009.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. PERGUNTAS FREQUENTES: Amamentação e Covid-19. Disponível em Acesso em: 29 de julho de 2020.

BRASIL. Ministério da Saúde. Coronavírus: conheça orientações para amamentação. Disónível em: https://aps.saude.gov.br/noticia/7717

PITONYAK, J. S.Occupational Therapy and Breastfeeding Promotion: Our Role in Societal Health. American Journal of Occupational Therapy, May/June 2014, Vol. 68, e90-e96. Acesso em: 29 de julho de 2020.

Sociedade Brasileira de Pediatria. Nota de Alerta. Aleitamento Materno em tempos de Covid19 – recomendações na maternidade e após a alta. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/22467f-NA_-_AleitMat_tempos_Covid-19- _na_matern_e_apos_alta.pdf

WORLD HEALTH ORGANIZATION, UNICEF (WHO, UNICEF). Protecting, promoting, and supporting breastfeeding in facilities providing maternity and newborn services: the revised Baby-friendly Hospital Initiative. 2018. Disponível em: https://www.who.int/nutrition/publications/infantfeeding/bfhi-implementation/en/

 

Autoras:
Monika Wernet
Ana Carolina de Almeida
Danielle Ferreira de Souza
Deborah Carvalho Cavalcante
Patrícia Della Barba
Karine Silva e Silva

 

Créditos da imagem: Francielle Caetano/Arquivo PMPA em Fotos Públicas

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