Encontro virtual será com Ricardo José Ferrari,  professor associado do Departamento de Computação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), 

O professor do Departamento de Computação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Ricardo José Ferrari participará na quarta-feira, 30 de setembro, às 19 horas, de um encontro virtual da ABRAz Regional São Paulo ao lado da neurologista Ana Luisa Rosa Sarmento para juntos discutirem sobre o desenvolvimento e uso de programas de computador para o diagnóstico da doença de Alzheimer.

Os programas usam técnicas de processamento de imagens, visão computacional e  inteligência artificial para a extração e análise de características importantes da imagem de Ressonância Magnética do paciente. Com isso, é possível identificar alterações estruturais cerebrais decorrentes do processo neurodegenerativo, como é o caso da doença de Alzheimer.

“A Ressonância Magnética estrutural é uma técnica de imageamento que permite a obtenção de imagens do corpo humano com grande riqueza de detalhes. No caso do Alzheimer a técnica é usada para obter imagens detalhadas do cérebro do paciente”, ressalta Ferrari.

Assim, com base na imagem, é possível quantificar o grau de atrofia de estruturas cerebrais envolvidas na cognição – como é o caso dos hipocampos – que constituem uma área central da memória e são as primeiras a serem afetadas.

 

Para o desenvolvimento dos programas de computador foram usadas inúmeras imagens de Ressonância Magnética de pacientes previamente classificados nos grupos: cognitivamente normal, comprometimento cognitivo leve e Alzheimer leve.

“As imagens foram processadas para a extração de características de estruturas cerebrais, então usadas como exemplos para o treinamento dos programas, os quais implementam modelos matemáticos e estatísticos que conseguem identificar as diferenças estruturais cerebrais existentes nas imagens dos pacientes”. Uma vez treinados os modelos, os programas são capazes de classificar novas imagens – não presentes no conjunto de imagens de treinamento.

O grupo de pesquisa do professor Ferrari (“Biomedical Image Processing Group – BIPGroup”) é composto por alunos de graduação e pós-graduação que recebem bolsas dos órgãos de fomento à pesquisa como a FAPESP e CAPES. Na pesquisa sobre a doença de Alzheimer, o grupo conta ainda com a colaboração do professor Roger Tam, PhD da Universidade de British Columbia em Vancouver no Canadá. “Recentemente, estamos estendendo essa colaboração com médicos radiologistas da Faculdade de Medicina da USP de São Paulo” revela Ferrari.

A pesquisa tem o intuito de usar tecnologias de imagens e inteligência artificial para auxiliar os médicos no diagnóstico precoce da doença de Alzheimer. “Embora ainda estejamos em fase de pesquisa, temos muito interesse em parcerias com empresas que eventualmente queiram trabalhar conosco no desenvolvimento dessas tecnologias”.

Sobre o Alzheimer

De acordo com Ferrari, na doença de Alzheimer existem uma série de eventos que acontecem no cérebro que leva à morte de neurônios e isso se reflete num processo de atrofia do cérebro.

“Gosto sempre de usar a analogia com uma noz (aquela castanha que geralmente comemos no Natal). A noz quando se desidratada ela murcha (atrofia). De maneira similar, o cérebro do paciente com Alzheimer perde neurônios de maneira acelerada, o que resulta numa transformação drástica (um processo de atrofia) das estruturas cerebrais”.

Ferrari ressalta que, embora, o cérebro também sofra alterações à medida que envelhece, a mudança não é tão acentuada quanto no Alzheimer.

O professor explica que a evolução da doença de Alzheimer passa por estágios bem característicos, que vão desde o estágio pré-clínico, em que não há sintomas, passando pelo comprometimento cognitivo leve, que é definido como um estágio intermediário e de alto risco demencial, até os estágios leves, moderado e avançado do Alzheimer.

Atualmente, o diagnóstico da doença de Alzheimer é clínico, ou seja, um médico aplica testes cognitivos ao paciente e conduz entrevistas com o paciente e pessoas próximas, que convivem com o paciente. De forma complementar, o uso da imagem de Ressonância Magnética também auxilia o médico, dando informação sobre o grau de atrofia do cérebro do paciente.

Autoria de Hever Costa Lima
Jornalista, Abraz Sub-regional São Carlos

 

Créditos da Imagem: Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

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