Autoria: Marcus Deminco

Descrição da obra: A obra expressa a angústia da incerteza do depois, os sentimentos ambivalentes ante a pandemia, e a esperança intricada no temor que permeiam o porvindouro do isolamento e o distanciamento social.

Expressão: Literatura

 

Obra 1

BICHO DO MUNDO MUDADO

Sou gerúndio da casualidade

Da quarentena prisioneiro

Saudável morbidade

Mundano estrangeiro

Sou gerúndio da casualidade

Bicho do mundo mudado

Andarilho sem estrada

Intrépido assustado

Sou gerúndio da casualidade

Epidemia de incerteza

Infindável brevidade

Incompreensível Clareza

Sou gerúndio da casualidade

Intricada situação

Encarcerada fatalidade

Esperançosa desilusão

Sou gerúndio da casualidade

Tumultuosa calmaria

Sentimento ambivalente

Entusiasmada apatia

Sou gerúndio da casualidade

Longínquo isolamento

Alegria sem felicidade

Sonho em desalento

Sou gerúndio da casualidade

Farto desabitado

Encarcerado em liberdade

Com futuro interditado

Sou gerúndio da casualidade

Convicção de talvez

Impolida amabilidade

Abundância de escassez

Sou gerúndio da casualidade

Abarrotado sozinho

Animosa debilidade

Peregrino sem caminho

 

Obra 2

DIGLADIAÇÃO DO MEU EU

Eu não sou o diminuto que lhe pareço.

Tampouco, o excelso que não consegues ver.

Sou a imensa vontade que padece.

Por tantos muitos querer ser.

Digladiação do meu eu.

Coliseu entre todo o meu ser.

Feridas na carne que não se abateu.

Cortaduras d’alma se fez transcender.

Fragmentos ficaram espalhados,

Entranhas mais condoídas.

Remendos de boas lembranças,

Cisuras de doces feridas.

Dos que fui, ficaram muitos.

Dos que ficaram, poucos eu fui.

E entre meus retalhos entornados pelo vão.

Migalhas insepultas do meu eu.

Pedaços reviventes de multidão.

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