Segurança sobre doar ou receber sangue

Algumas pessoas com doenças no sangue ou deficiências de fatores sanguíneos, necessitam com certa regularidade de tratamentos com produtos do sangue, os hemocomponentes e hemoderivados. Outras pessoas que não têm necessidades especiais podem eventualmente precisar também, por conta de uma cirurgia, trauma ou alguma outra condição adquirida. Para ter acesso a esses produtos, é imprescindível que alguém doe sangue. Assim, alguém pode se perguntar: é seguro doar ou receber sangue durante a pandemia de COVID-19? 

A ABRASTA (Associação Brasileira de Talassemia) alerta que desde que a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou situação de pandemia pelo novo coronavírus, e recomendou a adoção de medidas de distanciamento social, os estoques de sangue dos hemocentros de todo o Brasil estão muito abaixo do normal. Essa situação é preocupante, pois muitas pessoas podem precisar de sangue e seu componentes durante esse período, como aqueles acometidos por talassemia, anemia falciforme, hemofilia, por exemplo.

Beneficiados pela doação de sangue

Quem pode se beneficiar pela doação de sangue, e como são produzidos os hemocomponentes e hemoderivados?

O sangue é um tipo de tecido especial que tem a função de transportar nutrientes, oxigênio e resíduos metabólicos pelo corpo, além de garantir processos de coagulação sanguínea e defesa do organismo. Algumas doenças, que podem ser hereditárias ou adquiridas, afetam os diversos componentes do sangue e suas funções. As anemias hereditárias, como as talassemias e a anemia falciforme, ou as adquiridas, como anemia por falta de ferro ou por sangramento, podem afetar os glóbulos vermelhos ou hemácias, que são responsáveis pelo transporte de oxigênio no organismo.

Outras doenças do sangue, como as leucemias, afetam os glóbulos brancos ou leucócitos, que são responsáveis pela defesa do organismo. Já as plaquetas são os componentes responsáveis pela formação de coágulos, e também podem estar comprometidas em algumas doenças, como as púrpuras trombocitopênicas ou a doença de Von Willebrand. Em outros casos, são as proteínas plasmáticas que estão comprometidas, como no caso das hemofilias.

Portadores de doenças do sangue, mas não só, podem precisar dos produtos de hemoterapia, como os hemocomponentes e hemoderivados. Os produtos se originam da doação de sangue, após processamento por meio de processos físicos (centrifugação, congelamento) dando origem aos hemocomponentes (concentrado de hemácias, concentrado de plaquetas, plasma, crioprecipitado e concentrado de granulócitos). Já os produtos obtidos em escala industrial, a partir do fracionamento do plasma por processos físico-químicos são denominados hemoderivados (albumina, imunoglobulinas, os complexos protrombínicos e os fatores de coagulação). 

Cuidados importantes

Quais cuidados devem ser tomados nessa fase de pandemia?

Vale lembrar que a terapia transfusional é um procedimento que envolve riscos, mesmo sendo realizada por meio de indicação precisa e respeitando todas as normas técnicas preconizadas. Há sempre um risco potencial de ocorrer reações transfusionais, quer sejam imediatas ou tardias. Por isso, para garantir a segurança e qualidade do sangue e hemocomponentes oferecidos aos pacientes, deve-se seguir o que preconiza a legislação vigente como a RDC 34/2014 – da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e a Portaria 158/2016 – Ministério da Saúde (MS).

 

Orientações importantes

No contexto da pandemia o Ministério da Saúde emitiu nota técnica NOTA TÉCNICA Nº 13/2020CGSH/DAET/SAES/MS com orientações para minimizar os riscos de transmissão ao novo coronavírus, causador da COVID-19, e garantir também a segurança dos doadores e dos profissionais. Entre as recomendações podemos destacar:

  • Durante o acolhimento do doador e a coleta de sangue, os profissionais dos serviços de hemoterapia deverão estar atentos às medidas de higiene com vistas à prevenção da contaminação pelo SARS-CoV-2, tais como lavagem das mãos e uso de antisépticos. 
  • O cuidado com a higienização das áreas, instrumentos e superfícies deve ser intensificado pelos serviços.
  • A fim de se evitar a aglomeração de pessoas no momento da coleta, sugere-se, quando possível, que seja realizado o agendamento prévio da doação.
  • Outra medida a ser tomada é a manutenção do distanciamento seguro entre os doadores durante a coleta. 
  • Considerando a diminuição do deslocamento de pessoas durante o período da pandemia, orienta-se ainda que os hemocentros promovam o chamamento de doadores, sensibilizando os para a importância da manutenção dos estoques, uma vez que o consumo de sangue é diário, contínuo e essencial no tratamento de anemias crônicas, acidentes que causam hemorragias, complicações decorrentes da dengue, febre amarela, tratamento de câncer e outras doenças graves.
  • No que se refere ao cuidado com os profissionais de saúde, conforme recomendações da Nota Técnica nº 04/2020 GVIMS/GGTES/ANVISA, os serviços de hemoterapia devem implementar mecanismos e rotinas para prevenção e controle durante a assistência aos candidatos à doação ou receptores de sangue que tenham tido contato com casos suspeitos ou confirmados, bem como para comunicação às autoridades de saúde pública, seguindo as orientações publicadas periodicamente pelo Ministério da Saúde.
  • Os doadores devem ser orientados sobre a importância da informação pós-doação (IPD) como forma de redução do risco de transmissão transfusional do coronavírus, a fim de que os serviços de hemoterapia possam resgatar eventuais hemocomponentes em estoque e/ou acompanhar os receptores (busca ativa de informações clínicas e/ou laboratoriais de receptores relacionados). Nesse sentido, os doadores deverão ser instruídos para que comuniquem ao serviço de hemoterapia caso apresentem qualquer sinal ou sintoma de processo infeccioso, como febre ou diarréia, até 14 (quatorze) dias após a doação.
  • Os critérios referentes ao período de inaptidão clínica para o candidato à doação de sangue apresentados nesta Nota Técnica podem ser mais restritivos, caso os serviços de hemoterapia considerem mais apropriados para a realidade epidemiológica local, com a autorização da Direção Técnica da Instituição.

Cuidados importantes

Quais cuidados são dirigidos aos candidatos à doação para garantir sua proteção?

          Saiba que é possível e muito importante fazer a doação nesse momento tão difícil. Alguns cuidados devem ser tomados para que a doação seja segura, entre eles:

  • Ligar no hemocentro ou ponto de coleta mais próximo e agendar um melhor horário para evitar aglomerações. Veja a lista completa em www.eudousangue.com.br/onde-doar. O banco de sangue da Santa Casa de São Carlos realiza agendamentos pelo Whatsapp (16) 991046748 ou telefone (16) 35091230, de segunda a sexta-feira das 8 às 12 horas, e aos sábados das 8 às 11 horas.
  • Ter entre 16 e 69 anos, desde que a primeira doação tenha sido feita até os 60 anos. No caso de menores de 18 anos, é necessário o consentimento dos responsáveis. O modelo estará disponível no hemocentro.
  • Pesar mais de 50 kg.
  • Não deve fumar 1 hora antes da doação, nem ingerir bebida alcoólica 24 horas antes da doação.
  • Não pode estar em jejum.
  • Levar documento de identidade original, com foto recente.
  • Não cumprimente ninguém com toques, como abraços e apertos de mão.
  • Lave suas mãos com água e sabão ao chegar e também ao sair do local.
  • Leve álcool em gel e sempre que encostar em algo, passe o produto em suas mãos.
  • Evite levar as mãos ao rosto.
  • Use máscara de proteção facial.
  • Nesse momento, é melhor que não tenha a presença de acompanhante durante a doação.

Verifique se está realmente apto para a doação

Se estiver gripadoresfriado ou com suspeita da COVID-19, não doe sangue temporariamente.

Para quem já teve COVID-19 – só estará apto a doação 90 dias após a recuperação clínica completa.

Se teve contato direto com casos suspeitos ou confirmados de contaminação por Coronavírus, deve aguardar 14 dias após o último dia de contato, para se candidatar a doação de sangue.

Profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, entre outros) que tenham contato direto (domiciliar ou profissional) com pacientes devem aguardar 14 dias após o último dia de contato, para realizar a doação de sangue.

Referências:

Guia para o uso de hemocomponentes. Ministério da Saúde, 2ª ed., 2015. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_uso_hemocomponentes_2ed.pdf

Nota técnica nº 13/2020-CGSH/DAET/SAES/MS. Ministério da Saúde, 2020. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/documents/2857848/5624592/SEI_MS+-+0014052636+-+Nota+T%C3%A9cnica+13.pdf/eb3aad9b-2ddb-4c15-b979-8aec2a6e331b

Saia de casa só se for para fazer o bem! ABRASTA. Disponível em: https://www.abrasta.org.br/saia-de-casa-so-se-for-para-fazer-o-bem/?utm_source=akna&utm_medium=email&utm_campaign=20-05-21-Doacao-de-Sangue-Cabify-e-Credicard

 

Créditos da imagem: Foto de Unsplash

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