Qual é o poder da comunicação? Além dela, o que fica das consequências de como se escolheu fazê-la? Qual é o impacto de escolher falar sobre saúde e veiculá-la com qualidade? Vivemos o fim da verdade, mas não da oportunidade.

Cercados pela dúvida e imóveis em prol da segurança, depositamos no InformaSUS-UFSCar a nossa vontade de compreender a pandemia do novo coronavírus e causar mudanças positivas na sociedade. Acreditamos no fato de que haveria alguém que dissesse a verdade em meio a tantas mensagens robotizadas de Whatsapp e dentre tantas imagens manipuladas e likes comprados nas redes.

A massa acredita em tantas coisas e o principal objetivo de nosso trabalho era fazer com que ela pelo menos enxergasse o que brilha. E, em brilhando, diferenciasse-o do opaco. Por meio de um simples (porém meticuloso) processo sobre comunicação de redes sociais, naturalizado em estudantes da área da saúde, foi possível levar conhecimento substancial e profundo maquiado de dicas rápidas, manchetes e stories a quem quisesse se deixar seduzir.

Sem entender métricas, algoritmos e comunicação social, acreditamos no poder das redes sociais para combater a desinformação e propagar conhecimento direto da universidade para toda a sociedade. De maneira simples, objetiva e com qualidade, adaptamos os artigos da nossa plataforma web – alimentada por pesquisadores da área da saúde – em um processo de aprendizado rico e substancial. Em alguns momentos, o InformaSUS era toda a nossa experiência universitária, o que intensificou nosso sentimento de pertencimento e união. Inicialmente, nossa equipe – que hoje conta com estudantes de várias áreas do conhecimento da universidade – era composta por estudantes de medicina, imobilizados pela pandemia de exercerem sua graduação. Assim, o contato com o saber da saúde ocorreu primordialmente por meio dos artigos do InformaSUS, no processo rico de sua adaptação e exportação para as redes sociais. Houve relatos internos de como o projeto permitiu que calouros sentissem pertencentes à universidade pela experiência do projeto e de como isso atenuou os pensamentos de fracasso ou de incapacidade.

E não apenas calouros, o InformaSUS desencadeou em muitas mentes um processo endorfínico de prazer e de realização que foi fundamental para a saúde mental de muitos em tempos de pandemia e isolamento social. Sentir-se ativo e produtivo, como se houvesse ainda um papel social que você pudesse exercer, alguma mudança positiva a aplicar, por menor alcance que ela tivesse. Mas o alcance não foi pequeno, e o que era estímulo, transformou-se em uma reação em cadeia, abrindo espaço para mais fluxos e catalisadores, antígenos e patógenos.

Ao cabo dos 6 meses – sobre os quais esse ensaio se propõe debruçar – houve uma avaliação coletiva do trabalho e os sentimentos estavam todos ali, latentes em cada um dos membros da equipe, esperando um disparador para unissoar. Unissoaram em uma maiêutica só: estamos crescendo rápido demais e corremos para acompanhar a velocidade. Há uma urgência de apoio para que as pernas cresçam e acompanhem o alcance, as impressões, os compartilhamentos, os salvamentos e os likes. Há um sentimento coletivo de que o que fazemos já não é mais esperança; é expectativa. É uma comunidade construída por meio dos emblemas e das frases fortes. Da ética e do compromisso com um evento subestimado por tantos, mas que se conclui cada dia mais como uma atrocidade sem fim.

Estamos certos de que o InformaSUS desempenha um papel significativo nos dias não só de quem o acompanha, mas também de quem faz. De quem produz as reuniões, os textos, as revisões, os suportes, as curadorias, as publicações, as interações, as articulações, os abraços e os distanciamentos. De quem vive por dentro e por isso não consegue apenas enxergar de fora. Vive com admiração e observa um trabalho completo e necessário. Não há mais um sentimento obrigatório: as aulas voltaram e o novo normal cada vez mais se torna alheio. O que antes era necessidade, agora é afeto construído durante os 6 meses mais longos e confusos da maioria de nossas vidas.

Aprendemos a lidar com (talvez) o episódio sanitário mais marcante e decisivo do século a partir de uma relação íntima com tantos mestres que tinham a capacidade e o acolhimento de nos ensinar. Fomos acolhidos, ainda que isolados, e aprendemos a diferenciar autoritarismo de liberdade de conhecimento; gripezinha de pandemia; coronavírus de COVID-19. E, sobretudo, aprendemos sobre como se deve fazer saúde daqui para frente: interdisciplinar e integradamente. Com todas as mãos dadas, sem nos afastar muito.

Nestes 6 meses de redes sociais, foram mais de meio milhão de impressões, fruto de um trabalho coletivo de 50 voluntários: 25 da equipe de mídias, 7 revisores de texto, 13 designers e 5 profissionais de comunicação social.

E se é preciso sofrer depois de ter sofrido, e amar, e mais amar, depois de ter amado; depois de tantos milhares de impressões, é preciso continuar.

Acredite na ciência

Vem com a gente.

Autoria
Abraão Golfet de Souza
Aline Augusto de Carvalho
Amanda Soares Sousa
Beatriz Brecht Albertini
Beatriz Carvalho de Jesus
Beatriz Cassiano Coleone
Camila Koyama
Carla Vitória Pedroso Hernández
Carolina Perez Montenegro
Daiany Christinelli
Gabriele Vitoria Gerciano Machado
Isabela de Medeiros Boton
Isadora de Freitas Marcatto
João Paulo Borges Bispo
Júlia Miranda Penedo
Kaori Maria Carolina Yamashita
Laura Guimarães
Maria Clara Alves Pilati
Milena Leite de Oliveira
Nathalya Ferreira
Pedro Henrique Teixeira Bottaro
Pedro Issa Martinho Araujo
Roberta Teixeira de Moraes
Sofia Leite de Oliveira
Thamires Lameira Maraz

 

Créditos da imagem: Shoeib Abolhassani no Unsplash

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