Concluindo a série de publicações sobre a Doença de Alzheimer (DA) e  o Cuidado Integral às pessoas que convivem com a doença, hoje, abordaremos a atuação de duas profissões: a Fisioterapia e Psicologia.

Os cuidados tomados nas condutas decididas pela equipe responsável pela pessoa com DA é crucial para determinar como será a evolução do processo de adoecimento. Por isso, neste mês de conscientização sobre a Doença de Alzheimer, as frentes de Neurologia e Pessoas Idosas se uniram para produzir esta série de três publicações, assim:

Para saber sobre a Doença de Alzheimer, sua evolução clínica, tratamento medicamentoso, acesse aqui.

E para ter informações da importância do trabalho em equipe e sobre a atuação da Terapia Ocupacional e Assistência Social, clique aqui.

 

Fisioterapia

As perdas cognitivas da doença de Alzheimer podem levar a comprometimentos físicos. A pessoa que recebe o diagnóstico de DA deveria iniciar o tratamento fisioterapêutico assim que possível para manter seu desempenho funcional por maior tempo possível. É importante que a família solicite o encaminhamento para avaliação de acompanhamento desde o momento diagnóstico.

A Fisioterapia intervém nas limitações físicas e pode estar presente em todos os estágios da DA. Nos casos mais graves, faz-se necessário o acompanhamento em domicílio.

O tratamento pela fisioterapia na DA, apresenta objetivos gerais partilhados com a equipe multidisciplinar como: manter a independência da pessoa por maior tempo possível, diminuir a sobrecarga de seus cuidadores e familiares e melhorar na qualidade de vida de todos os envolvidos.

Os objetivos específicos do acompanhamento pelo fisioterapeuta são:

  • manutenção ou evolução do desempenho do paciente nas atividades funcionais;
  • aprimoramento da resistência física, mobilidade e flexibilidade por meio de exercícios aeróbicos, de força, alongamentos etc.; e
  • melhorar o controle postural, por meio de atividades voltadas à redução do risco de quedas.

Diante das diversas modalidades e métodos que podem ser mobilizados, compete ao fisioterapeuta responsável, após avaliações e reavaliações, a implementação e o ajuste da frequência e da intensidade das seções.

 

Design por Amanda Penetta

 

De modo geral, as condutas envolvem treinos de atividades funcionais relacionadas à parte física, tais como sentar e levantar; agachar-se; virar-se na cama; caminhar etc.; mas também podem ser associadas tarefas cognitivas ou outras tarefas motoras durante o tratamento. Essa modalidade de treinar mais de uma tarefa ao mesmo tempo, é denominada treino de dupla-tarefa. A realização de duplas-tarefas é algo muito comum no cotidiano de todos os seres humanos e é afetada na DA e em muitas outras doenças neurológicas.

O período de tratamento é programado de acordo com reavaliações frequentes, que podem abranger outros profissionais de saúde para um melhor manejo das dificuldades apresentadas, já que a DA pode trazer diversos problemas secundários além dos motores, como as dificuldades na alimentação; na deglutição; transtornos psiquiátricos; dentre outros.

Importante:

As atividades e/ou exercícios físicos escolhidos pelo fisioterapeuta devem envolver  as preferências e particularidades da pessoa com DA, o que ajuda a estimular a participação da pessoa e a adesão ao tratamento.

A inclusão do cuidador é essencial e ele deve ser orientado pelo fisioterapeuta para ajudar o paciente na realização de exercícios prescritos e atividades em casa.

 

Psicologia

Considerando o vasto número de profissionais que podem contribuir para uma melhor qualidade de vida do paciente com doença de Alzheimer e do seu cuidador, qual o papel do psicólogo? Este profissional ajuda em questões emocionais e no manejo de comportamentos novos, intervindo em interações que influenciam na saúde mental do cuidador e da pessoa com DA.

Muitas adaptações e readaptações são necessárias ao longo do tempo, em função do progresso da doença. Auxiliar o cuidador a compreender este processo e desenvolver estratégias para lidar com essas mudanças é um dos papéis fundamentais do psicólogo. Dentre alguns exemplos de intervenção psicológica, podemos citar: mediação na divisão das tarefas de cuidados com o paciente entre os familiares, desenvolvimento da rede de suporte social para o cuidador e treino de habilidades sociais dos cuidadores, que precisam lidar com tarefas interpessoais difíceis.

Com o progresso da doença, além de auxiliar o paciente com aquelas tarefas que já não consegue fazer sozinho, o cuidador terá também que tomar algumas decisões pelo paciente que, talvez, nunca foram antes conversadas, como a opção pela institucionalização, a curatela, o uso de medidas paliativas em estágios mais avançados da doença, dentre outros.

Todas essas decisões a serem tomadas e os cuidados a serem realizados podem gerar dúvidas sobre como agir e estresse superior às capacidades do cuidador. Com a ajuda de um psicólogo, terá apoio para pensar em alternativas e decidir como lidar com suas emoções neste momento, como prevenir e amenizar a sobrecarga, e até mesmo, como praticar atividades de autocuidado e relaxamento.

 

Design por Amanda Penetta

 

Embora o ato de cuidar seja uma tarefa complexa e com muitas demandas,  são tarefas carregadas de emoções e significados. O psicólogo estimula  um processo de organização e ressignificação do cuidado para os familiares, evitando-se o estigma negativo muitas vezes associado a essa atividade. O profissional pode auxiliar o cuidador a repensar a maneira de encarar seu contexto para buscar resultados baseados no trabalho em equipe, a encontrar formas acessíveis de reduzir seu estresse, além de buscar motivações internas para sustentar seu envolvimento e com isso, atribuir um sentido ao ato de cuidar.

Desse modo, a situação de cuidado ao paciente com DA pode ser experienciada pelo cuidador em uma nova perspectiva, na qual possa estar aberto a novos aprendizados em relação a doença e ao cuidado, assim como a ressignificação dos seus vínculos afetivos com o paciente e outros familiares.

 

Autoras:

Ana Claudia T. de Barros, terapeuta ocupacional coordenadora da ABRAz São Carlos
Claudia Aline Valente Santos, docente curso de Terapia Ocupacional UFSCar
Elizabeth Barham, Docente do Curso de Psicologia UFSCar
Juliana Morais Menegussi, Assistente Social da Unidade Saúde Escola da UFSCar
Nathália Sigilló Cardoso, fisioterapeuta e doutoranda em Saúde pública pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo.
Nicole Akemi Yamada, Estudante de Psicologia UFSCar
Tais Francine De Rezende, Psicóloga Criadora do Canal FelizIdade no Youtube
João Pedro de Barros Fernandes Gaion,  Estudante de Medicina
Francisco de Assis Carvalho do Vale, Médico Neurologista
Matheus Fernando Manzolli Ballestero, Médico Neurocirurgião

Crédito da imagem: StockSnap por Pixabay

 

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Categoria: Neurologia

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