Com o distanciamento social, estamos todos muito mais conectados aos nossos aparelhos eletrônicos do que estávamos antes da pandemia. Se por um lado a pandemia facilitou processos por meio da tecnologia, por outro ela intensificou as consequências do uso frequente de aparelhos como celulares, tablets e computadores.  

Entre reuniões, aulas e redes sociais, podemos ficar o dia todo em nossos celulares  dentro de casa, da cabeceira da cama até o banheiro. E uma das principais queixas associadas ao uso excessivo de aparelhos eletrônicos é a cefaleia, a famosa dor de  cabeça, dos tipos migrânea e tensional. 

Cefaleias Migrâneas  

Mas afinal, o que é a migrânea ou enxaqueca? Ela tipicamente ocorre em episódios caracterizados por dor de cabeça associada a enjoo, piora com a luz e/ou barulho, piora com exercício físico. Normalmente, é do tipo pulsátil, de um lado só da cabeça e vem acompanhada de sintomas de alteração visual. Tais alterações visuais, também denominadas “aura visual”, caracterizam-se pelo aparecimento de pequenos pontos luminosos ou embaçamento dos limites do campo de visão.

Algumas pessoas também experimentam uma série de indícios sinalizadores de que as dores de cabeça vão começar, antecedendo em horas ou dias o aparecimento da cefaleia, além de, posteriormente, uma fase de resolução. Sintomas premonitórios e de resolução incluem hiperatividade, hipoatividade, depressão, apetite específico para determinadas comidas, bocejamento repetitivo e outro sintomas inespecíficos reportados por alguns pacientes.  

Suas causas e origens ainda não são muito bem definidas por um consenso científico,  porém acredita-se que envolvem um distúrbio no processamento de estímulos nervosos:  de audição, visuais, olfativos, do tato e da dor.  

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Cefaleias Tensionais  

Um outro tipo de cefaleia que pode estar associada ao uso de aparelhos eletrônicos é a de tipo tensional. É a mais frequente das cefaleias primárias. Sua prevalência na população geral – ou seja, o número de casos em um determinado período – varia de 14% a 78%.  

As crises são de fraca ou moderada intensidade, com sensação de aperto ou pressão e, na maioria das vezes, esse tipo de cefaleia ocorre dos dois lados da cabeça. Além disso, pode ser sentidas tanto na  frente da cabeça, quanto nas outras regiões. 

Surge, em geral, no final da tarde, e relaciona-se com estresse físico (cansaço, exagero de atividade física, especialmente no calor e sob o sol), muscular (posicionamento do pescoço no sono ou no trabalho) ou emocional.  

 

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Percebi dores de cabeça após o uso excessivo de aparelhos eletrônicos, e agora? 

Nesse sentido, o uso de computadores pode se associar às cefaleias pela quantidade de:  

  • estímulos visuais, principalmente em luz de ondas curtas, ou seja, luz azul proveniente de aparelhos eletrônicos;
  • auditivos, especialmente quando associadas ao uso de fones de ouvidos;
  • e a estímulos em receptores da dor, que podem causar a dor cervical relacionada à postura sentada e a tensão ocular relacionada ao uso de telas.

Por esse motivo, é importante focarmos na prevenção: em um primeiro momento, reorganizando os horários do uso de aparelhos eletrônicos e criando uma certa disciplina para usá-los. Se possível, até diminuir o uso.  

Caso não seja possível, aqui vão algumas dicas:  

  •  Sente-se corretamente:  
    1. Distribua o peso;
    2. Forme ângulos de 90º;
    3. Respeite a curvatura da lombar;
    4. Use almofadas;
    5. Afaste as pernas;  
    6. Mantenha os ombros para trás;  
    7. Olhe para o centro do monitor;
    8. Dê pausas entre 30 e 60 minutos para uma sessão curta de alongamentos;
    9. Não gire o tronco, redobrando a atenção para as cadeiras giratórias.  
  • Pratique a higiene do sono (para saber mais, acesse esse post) e diminua o uso de eletrônicos antes de dormir (você pode até colocar seu celular no modo noturno, com filtros de luz que auxiliam na sensação de claridade); 

Para medicamentos como analgésicos e relaxantes musculares, consulte sempre um médico, pois ele avaliará a sua dor e saberá te indicar outras possíveis causas, como  também apontar o melhor plano de cuidados.  

 

Design por Ana Paula de Lima

 

Referências

https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/06/150622_dores_smartphones_rm  https://www.health.harvard.edu/staying-healthy/blue-light-has-a-dark-side 

XAVIER, Michelle Katherine Andrade et al . Prevalência de cefaleia em adolescentes e associação com uso de computador e jogos eletrônicos. Ciênc. saúde coletiva, Rio de  Janeiro , v. 20, n. 11, p. 3477-3486, Nov. 2015 .  

BALI, Jatinder; NEERAJ, Naveen; BALI, Renu Thakur. Computer vision syndrome: A  review. Journal of Clinical Ophthalmology and Research, [s. l.], v. 2, ed. 1, 2014.  D i s p o n í v e l e m : http://www.jcor.in/article.asp? issn=2320-3897;year=2014;volume=2;issue=1;spage=61;epage=68;aulast=Bali. Acesso  em: 29 set. 2020.  

BORDINI, Carlos A. Migrâneas e suas Variantes. In: NETO, Joaquim Pereira Brasil;  TAKAYANAGUI, Osvaldo M. Tratado de Neurologia da Academia Brasileira de  Neurologia. 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. cap. 14.  

GOADSBY, Peter J. et al. Pathophysiology of Migraine: A Disorder of Sensory  Processing. Physiological Reviews, [s. l.], 2017. Disponível em: https:// journals.physiology.org/doi/pdf/10.1152/physrev.00034.2015. Acesso em: 30 set. 2020. 

SAUERESSIG, Ingrid Becker et al. Cefaleias primárias em adolescentes e sua associação  com o uso excessivo de computador. Revista Dor, [s. l.], v. 16, n. 4, 2015. Disponível em:  https://www.scielo.br/scielo.php? pid=S1806 00132015000400244&script=sci_arttext&tlng=pt. Acesso em: 30 set. 2020. 

SILVA, Ariovaldo Alberto et al. Cefaleia do Tipo Tensional. In: NETO, Joaquim Pereira  Brasil; TAKAYANAGUI, Osvaldo M. Tratado de Neurologia da Academia Brasileira de  Neurologia. 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. cap. 17 

XAVIER, Michelle Katherine Andrade et al. Prevalência de cefaleia em adolescentes e  associação com uso de computador e jogos eletrônicos. Ciênc. saúde coletiva, Rio de  Janeiro, v. 20, n. 11, p. 3477-3486, novembro de 2015. Disponível em: http:// www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232015001103477&lng=en&nrm=iso. acesso em 30 de  setembro de 2020.

 

Autores:
Abraão Golfet de Sousa
Aline Augusto de Carvalho
João Pedro de Barros Fernandes Gaion

 

Créditos da imagem: Stories no Freepik

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