Como sabemos, os idosos e pessoas com doenças crônicas são os mais vulneráveis a evoluírem para a forma grave da COVID-19, sendo necessário, nesses casos, redobrar os cuidados e evitar o contato físico. Tal fato tem escancarado ainda mais o preconceito etário existente (também conhecido como etarismo ou ageísmo). O preconceito pode acontecer na forma de estereótipos em relação à saúde, capacidade, desempenho, idade, fragilidade, etc. E é importante lembrar que o Estatuto do Idoso (definido pela Lei Federal de nº 10.741 de 1º de outubro de 2003) traz uma série de normas para proteger e defender os direitos das pessoas idosas. 

São muitos os jovens que, por se entenderem fora do grupo de risco, não se percebem como possíveis vetores e não tomam os cuidados pessoais ou grupais necessários diante da pandemia, além de culpar os idosos pelo isolamento social. Há também um possível aumento nos casos de violência contra o idoso – principalmente por parte da família, que o impede de fazer suas atividades rotineiras, afirmando estar “pensando no próprio bem” (esquecendo-se que o idoso é capaz de tomar as suas próprias decisões e que é preciso respeitar a sua autonomia). 

Além de pensar na saúde física do idoso, é imprescindível pensar na sua saúde mental. Devido ao distanciamento e ao isolamento social, a saúde mental de muitos idosos tem sido prejudicada. Atividades como o contato com os netos e outros membros da família, mesmo que uma vez por semana, contribuem para a saúde mental. Infelizmente, essas atividades foram interrompidas e fazem uma grande diferença na vida das pessoas – sejam elas idosas, adultas, jovens ou crianças.

A partir disto, as perguntas que surgem são:

  • O que podemos fazer para diminuir o preconceito etário e aumentar a conscientização em relação aos cuidados necessários?
  • Como o isolamento reflete na saúde mental dos idosos?
  • O que podemos fazer quando existe a necessidade ou a vontade da presença de familiares e cuidadores? 

A resposta para algumas destas perguntas está em uma palavra: intergeracionalidade. A intergeracionalidade é a interação entre pessoas de gerações diferentes e pode contribuir tanto para os mais velhos quanto para os mais novos. Para os mais velhos pode trazer um aumento da interação social, uma atualização das novas tecnologias e diminuir as chances de depressão. Para os mais novos há a transmissão cultural, melhor entendimento sobre o ciclo da vida e o aprendizado, desde cedo, de como tratar os idosos com dignidade e respeito. Há uma valorização dos laços afetivos estabelecidos entre as diferentes gerações, aliando a sabedoria e as experiências de vida dos idosos com conhecimentos da vida moderna dos jovens.

É preciso  romprer  a visão de que pessoas idosas são receptores de cuidados. Idosos, principalmente mulheres, são muitas vezes cuidadoras de crianças e tornam possível que os adultos estejam no mercado de trabalho – situação que se evidenciou com a pandemia e o fechamento das escolas. As famílias se viram em um impasse de organização: onde ficariam os netos?

Outra problemática é a ocorrência do falecimento de cônjuges idosos que passam a viver a complexa situação do luto durante a pandemia. Como deixar uma pessoa idosa e em luto sozinha?

Entendendo a necessidade de participação social do ser humano como essencial para sua saúde, reconhecendo a dificuldade das famílias com idosos em mantê-los em distanciamento social  e com a chegada das festas de final de ano (Natal e Ano Novo) selecionamos e apresentamos aqui recomendações sobre como proceder para que os encontros sociais possam ocorrer com pessoas idosas. Reforçamos que estes cuidados não garantem totalmente que a contaminação pelo vírus não ocorra, sendo imprescindível a manutenção do distanciamento físico, o uso de máscara e a lavagem das mãos.

Ao entrar na casa: 

 

Uso da máscara: 

  • Máscaras descartáveis não devem ser reutilizadas, se possível, descarte no lixo do banheiro, onde se descarta papel higiênico usado.

 

Durante o encontro: 

 

Presença não é apenas física

Caso note a disposição, comunicação e atividades do idoso empobrecidas ou prejudicadas, lembre-se que a família e amigos trazem sentimentos de pertencimento. Manter uma conexão de parcerias familiares, de trocas intergeracionais positivas e produtivas serve para manter a saúde do corpo e promover o bem estar psicológico.

Lembrar de fazer uma ligação na semana e visitar no portão de casa com todos os cuidados para uma conversa rápida, com distanciamento físico e uso de máscara, são coisas que podem acontecer e serão úteis e de grande valia nesse momento tão difícil. 

Você pode ajudar o idoso a aprender a utilizar o whatsapp, caso o mesmo tenha um aparelho celular. Veja como acessando cartilha elaborada neste link.

A Fundação Oswaldo Cruz também elaborou uma cartilha com recomendações para as Festas de Final de Ano, que pode ser acessada clicando aqui.

Estamos vivendo um momento atípico, com recomendações de distanciamento social e cuidados específicos com a nossa saúde desde março de 2020 em virturde da pandemia da COVID-19. Por mais que nos últimos meses tenhamos visto a reabertura de comércios e outros estabelecimentos, não significa que a necessidade de cuidados acabou – ainda mais com o recente aumento no número de infectados e o início da chamada “segunda onda” da epidemia.

 

Autoria:

Ana Carolina Lima Marques
Ana Luíza Guedes Ferreira
Caroline Kayasima
Maria Clara Sanches Ricce

Profa Dra. Claudia Aline Valente Santos – Docente Departamento Terapia Ocupacional UFSCar

Revisao: Prof Dr. Bernardino G. Alves Couto – Docente Departamento Medicina UFSCar

Observação: este material foi produzido na disciplina Atividade e Curso de Vida da Pessoa Idosa

 

Referências:

GROISMAN, D.; SANTOS, A. G. S.; CHAGAS, D. C.; LORDELLO, I. M. S.; BERNARDO, M. H.; DUARTE, Y. A. O. Orientações para Cuidadores Domiciliares de Pessoa Idosa na Epidemia do Coronavírus – COVID-19. Disponível em: <http://www.epsjv.fiocruz.br/sites/default/files/files/CartilhaCuidadorIdoso_Covid-19.pd f>

Avós e netos separados pela pandemia. O Tempo (2020). Disponível em: <https://www.otempo.com.br/interessa/avos-e-netos-separados-pela-pandemia-1.236 4036.> Acesso em 26 nov. 2020. 

FERREIRA, C. Debate destaca importância do contato entre avós e netos mesmo que virtualmente. Câmara dos Deputados, 2020. Disponível em: <https://www.camara.leg.br/noticias/679007-debate-destaca-importancia-do-contato-e ntre-avos-e-netos-mesmo-que-virtualmente/.> Acesso em 26 nov. 2020. 

ETARISMO, O PRECONCEITO CONTRA OS IDOSOS. Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, 2020. Disponível em: <https://sbgg.org.br/etarismo-o-preconceito-contra-os-idosos/.> Acesso em 4 dez. 2020. 

SILVA, D. M.; VILELA, A. B. A.; NERY, A. A.; DUARTE, A. C. S.; ALVES, M. R.; MEIRA, S. S. Dinâmica das relações familiares intergeracionais na ótica de idosos residentes no Município de Jequié (Bahia), Brasil. Ciência e Saúde Coletiva, v. 20, n.7, p. 2183-2191, 2015. 

 

Crédito da imagem: Georg Arthur Pflueger em Unsplash

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Categoria: Pessoas idosas e COVID-19

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