Muitas são as dúvidas relacionadas com a gravidez e o parto durante o período de pandemia pelo novo coronavírus, também conhecido como SARS-Cov-2. Pensando nisso, o Grupo: Cuidados sem limites elaborou um material para responder às principais perguntas sobre o tema. Confira a seguir!

As gestantes e puérperas formam parte do grupo de risco para infecção pelo novo coronavírus?

Adult care sport smile fertility Free PhotoOs estudos sobre Covid-19 e gravidez não são definitivos e estão em andamento. Ainda existem muitas incertezas sobre o assunto. Contudo, publicações científicas que investigaram mulheres chinesas infectadas pelo SARS-Cov-2 no terceiro trimestre de gravidez indicam que elas têm sintomas da Covid-19 semelhantes aos das mulheres que não estão grávidas. Um relatório da missão conjunta da Organização Mundial da Saúde (OMS) na China, por exemplo, que observou 64 mulheres grávidas positivas para o SARS-Cov-2, concluiu que o desenvolvimento da doença nas grávidas não é diferente do restante da população. No entanto, um estudo chinês envolvendo 16 grávidas com diagnóstico confirmado para Covid-19 e 18 grávidas com suspeita da doença observou maior frequência de complicações maternas, ainda que nenhuma dessas complicações tenha sido considerada grave.

Apesar de não terem sido publicados estudos suficientes comprovando que grávidas sejam mais vulneráveis à Covid-19, o Ministério da Saúde (MS) do Brasil decidiu colocar gestantes e puérperas no grupo de risco para o novo coronavírus. O MS também decidiu redobrar a atenção com essa população como forma de precaução, já que algumas puérperas morreram com Covid-19 e por ser sabido que a gravidez modifica o sistema imunológico da mulher e pode torná-la mais suscetível a infecções de modo geral.

Mas não há motivos para pânico!

Que medidas as gestantes devem tomar em relação à pandemia pelo coronavírus?

É fundamental que as gestantes pratiquem o isolamento social, não recebendo visitas. Além disso, é preciso manter a higiene e ter uma alimentação saudável para fortalecer a imunidade. A prática de exercícios físicos em casa também é recomendada.

Gestantes com comorbidades – ou seja, aquelas com doenças associadas, tais como diabetes, hipertensão e asma – precisam de atenção triplicada. Estas, sim, pertencem ao grupo de risco em função das doenças de base que já apresentam.

Além disso, todas as gestantes devem se vacinar normalmente, especialmente contra a gripe (H1N1, causada pelo vírus Influenza).

O que muda em relação às consultas de pré-natal?

As consultas de pré-natal deverão seguir suas agendas habituais, estabelecidas pelos médicos ou pelos serviços de saúde. Os intervalos entre as consultas de pré-natal e a realização de exames complementares (como as ultrassonografias, por exemplo) poderão ser ampliados, sempre avaliando os riscos e os benefícios com o objetivo de evitar a exposição desnecessária das gestantes a ambientes de risco para contaminação. Consultas on-line são possíveis, a critério da equipe de saúde e da gestante, desde que as condições clínicas da mulher assim o permitam.

É importante que as gestantes permaneçam o menor tempo possível nas unidades de saúde e/ou consultórios para a realização das consultas de pré-natal, evitando ao máximo aglomerações em salas de espera. Neste sentido, sempre que possível, as grávidas devem comparecer às consultas sem acompanhantes.

Durante as consultas, é recomendável investigar a presença de sintomas gripais e/ou se a gestante estabeleceu contatos recentes com pessoas infectadas pelo coronavírus.

Há riscos para crianças que nasceram de mães com COVID-19 durante a gravidez?

Ainda é cedo para saber, com certeza, se o novo coronavírus causa defeitos congênitos no feto. Contudo, ao contrário, por exemplo, do Zika Vírus, o SARS-Cov-2 aparentemente não provoca malformações congênitas.

A maioria dos estudos sugere que alguns bebês podem ser infectados no momento do parto. Na maior parte das vezes, os sintomas nestes recém-nascidos com infecção confirmada foram leves e reversíveis.

A transmissão placentária – ou seja, a que ocorre enquanto o feto está dentro do útero – parece ser possível. Existe um caso de recém-nascido na China que teve resultado positivo para SARS-Cov-2 duas horas depois de ter nascido, sendo, provavelmente, um caso de transmissão intra-útero.

Grávidas com o novo coronavírus são mais propensas à cesárea?

Uma gestante infectada com coronavírus só precisará fazer cesárea se houver complicações que indiquem a cirurgia – como no caso de insuficiência respiratória grave, por exemplo.

As mulheres com Covid-19 que apresentem sintomas leves não necessariamente precisarão se submeter a um procedimento de cesárea. Ao contrário: o parto deve ser conduzido, sempre que possível, de forma natural e por via vaginal.

Pela possibilidade de descompensação do quadro infeccioso, no caso de gestante com Covid-19 não se recomenda o parto em casas de parto ou em domicílio. Também não se recomenda o parto na água pela impossibilidade de proteger os profissionais de saúde envolvidos e o recém-nascido da transmissão durante o processo.

Métodos não farmacológicos para o controle de dor durante o parto (como o chuveiro) devem ser ofertados, mas não compartilhados entre mulheres que são positivas e mulheres que são negativas para o coronavírus.

A COVID-19 favorece o parto prematuro?

Alguns trabalhos mostram que mulheres com Covid-19 apresentam uma tendência maior de terem partos prematuros. Em um estudo realizado por pesquisadores ingleses, em que foram investigadas 32 gestantes com Covid-19, 47% das grávidas tiveram partos prematuros.

A presença do parto prematuro esteve associada à gravidade da doença causada pelo novo coronavírus. O risco de a gestante com Covid-19 ter um parto prematuro dependerá, então, do seu quadro clínico: mulheres com insuficiência respiratória e febre alta podem apresentar mais chances de um parto prematuro.

Pode ter acompanhante no parto?

O direito da gestante a ter seu acompanhante desde o início do trabalho de parto, durante o parto e no pós-parto imediato é garantido por Lei. Porém, neste momento de pandemia por coronavírus, a maior parte dos hospitais e maternidades tem colocado algumas restrições ao exercício desse direito. Estas restrições são temporárias, e visam reduzir os riscos e a disseminação da infecção, ou seja, proteger as gestantes e seus bebês.

Converse com antecedência com o setor na instituição de saúde para confirmar se será possível ter acompanhante nesta fase. Sendo possível, é muito importante que o acompanhante não só adote todos os cuidados necessários para evitar a contaminação como também não apresente sintomas de infecção pelo coronavírus e nem faça parte do grupo de risco. Além disso, não deverá ocorrer o revezamento de acompanhantes durante o processo.

Pode amamentar?

Amostras de leite de algumas poucas mulheres lactantes não detectaram a presença do SARS-Cov-2.

De todos os modos, o MS do Brasil recomenda a manutenção da amamentação em mulheres com Covid-19 assintomáticas ou com sintomas leves, inclusive porque o leite de uma mãe infectada pode fornecer ao recém-nascido anticorpos contra o SARS-CoV-2. Mas é imprescindível que sejam tomados todos os cuidados: higienizar rigorosamente de mãos, usar máscara cirúrgica durante o contato com o filho, manter os cabelos presos e evitar usar brincos são os principais deles.

A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que, caso a mãe com Covid-19 não se sinta à vontade para amamentar diretamente seu filho, ela poderá extrair seu leite manualmente ou usar bombas de extração láctea, desde que bem-higienizadas. Assim, um cuidador saudável poderá oferecer o leite ao bebê por meio de xícara, copinho ou colher. No caso de puérperas com Covid-19 e instáveis clinicamente, é razoável suspender a amamentação.

Quando o bebê nascer, pode receber visitas na maternidade e/ou em casa?

Em razão da situação de pandemia, para garantir a saúde e a segurança das pessoas, a maioria dos hospitais e maternidades estão proibindo ou restringindo visitas para pacientes internados.

Visitas nas residências também não são recomendadas. Vale lembrar que, até o presente momento, a prática do isolamento social é uma das medidas mais eficientes para combater a propagação do novo coronavírus.

E o teste do pezinho? O que fazer?

Normalmente, o teste do pezinho (triagem neonatal) é coletado na maternidade. Se, excepcionalmente, não houver a coleta, a criança deverá ser levada à unidade de saúde mais próxima de sua residência a partir do terceiro e até o sétimo dia de vida para que a triagem seja realizada. Procure entrar em contato com essa unidade de saúde com antecedência, pois a coleta domiciliar do teste do pezinho deve ser uma opção a ser considerada.

Recém-nascidos com resultado alterado no teste do pezinho devem ser imediatamente reavaliados. Neste caso, converse com os profissionais do serviço de saúde ou com o pediatra para combinar a reavaliação da criança.

O bebê dever ser vacinado?

O calendário vacinal do recém-nascido deve ser mantido. Procure a unidade de saúde mais próxima de sua residência em horários menos concorridos para fazer a vacinação normalmente.

Além disso, confira com antecedência na unidade quais têm sido os horários diferenciados para a vacinação de crianças. A vacinação domiciliar também pode ser uma opção a ser considerada. Outra possibilidade para reduzir o número de visitas às unidades de saúde é a aplicação de um maior número de vacinas numa mesma visita, desde que o intervalo mínimo entre as doses seja respeitado. Converse sobre isso na unidade de saúde ou com os profissionais de saúde que acompanham a criança.

Mães com COVID-19 devem ficar afastadas de seus bebês?

Se a mãe estiver com Covid-19, mesmo que ela não apresente sintomas ou apresente sintomas leves, é recomendado que tarefas habituais (como o banho e a troca do bebê), sejam realizadas, sempre que possível,  por outra pessoa que não esteja doente.

O que esperar nesse momento tão importante e delicado?

Sabemos que muitas mudanças de planos estão vindo durante a gestação e deverão interferir no parto e puerpério, pois as famílias planejam essa fase com muito carinho e responsabilidade. Com todas as alterações que o mundo está nos impondo, esta será mais uma das manifestações de cuidado para com bebês e suas famílias. Não são tempos comuns!

Converse, se informe e, principalmente, dialogue com o(a) parceiro(a) sobre os novos planos que envolvem este momento tão delicado. Além de todas as eventuais surpresas que precisarão ser enfrentadas, o contexto também poderá aguçar a ansiedade e causar preocupação.

Mães, adotem medidas para se manterem informadas e deem atenção à saúde mental. Sejam gentis consigo mesmas e informem seus familiares sobre os cuidados que estão adotando com antecedência, para evitar desgastes e sofrimentos.

Lembre-se: vocês não estão sozinhas, e o isolamento não é emocional!

 

Para mais informações, confira o Portal do Sistema Nacional de Informação sobre Agentes Teratogênicos (SIAT), disponível no seguinte endereço: https://www.gravidezsegura.org/informacoes-profissionais/coronavirus/. O SIAT é um projeto de Extensão do Departamento de Genética e dos Programas de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular e em Saúde da Criança e do Adolescente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS):

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Créditos da imagem: Freepik no Freepik (imagem principal); onlyyouqj no Freepik (imagem 1); Freepik no Freepik (imagem 2).

 

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