Grito

E foi assim, tudo muito rápido.
No outro dia já não existia o barulho da sala de aula e o remexer das cadeiras.
Restou-me somente sussurros internos,
gritos abafados desesperados pelo futuro, tão incertos quanto antes.

Não existiam mais os inquietos, nem os pedidos de silêncio e tampouco os perdidos.
Silêncio que agora, ensurdecedoramente, tornou-se a sala de aula,
o meu lugar, o discurso vazio do presidente, as vidas perdidas,
as vidas roubadas, o esvaziamento evidente.

O silêncio tornou-se sua própria gritaria.
Quem diria, sentir falta da gritaria?
Sim, a saudade da gritaria, dos rostos, dos sussurros,
dos pedidos massivos de silêncio.

Mas agora grito para ouvir, para ver,
mas os microfones e câmeras não funcionam, não querem se abrir,
não querem aparecer, preferem conter-se.
São assim, aglutinam-se ao mesmo tempo que nos permitem ouvir o silêncio.

Mas estou com pressa.
Estou com pressa de acabar com tudo.
Quero gritar pela vacina, pelas vidas, quero gritar pelo barulho contido nos silêncio e que não posso me desligar para ouvir.

Quem diria?
Talvez, seja o tempo de ouvir o silêncio.
Afinal, quantos foram os tempos em que falamos, falamos e falamos sem ouvir?
E qual é o melhor vazio do que este que está em nós?

Mas aqui estou eu, falando, falando e falando…
Porque dentro de mim só existem gritarias.

Motivo pelo qual quero aprender a ouvir o silêncio de quem grita por dentro.
E você, precisa gritar pelo o quê?

 

 

(O texto foi elaborado como um relato por uma participante do projeto permaneSer)

 

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Créditos da Imagem: Projeto PermaneSer

 

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