Conversamos com Ana Claudia Trombella Barros, terapeuta ocupacional  e coordenadora da representação da Associação Brasileira de Alzheimer – ABRAz  em São Carlos, sobre demência e necessidade de suporte aos cuidadores de pessoas idosas durante o período de pandemia.

O que seria Demência? 

Ana Claudia explica que entende-se por demência um grupo de sintomas caracterizados pelo prejuízo de pelo menos duas funções do cérebro, como a memória e a capacidade de compreensão dos fatos.

A doença de Alzheimer é um dos tipos de demência, sendo uma doença neurodegenerativa, progressiva e irreversível, caracterizada por alterações cognitivas e comportamentais. A demência na doença de Alzheimer apresenta como  sintoma inicial, normalmente, o declínio da memória, sobretudo para fatos recentes, e desorientação espacial. As manifestações da doença ocorrem de maneira insidiosa, com piora lentamente progressiva.

Por que a ABRAz São Carlos está oferecendo grupo de apoio online aos cuidadores?

É extremamente importante direcionar sempre um olhar ao cuidador familiar para perceber suas necessidades, que podem ser agravadas durante o período de distanciamento social por conta da pandemia por COVID19.

Com a progressão da doença, surge a necessidade de cuidados especiais e contínuos, normalmente desempenhados por cuidadores familiares. A família costuma ser o maior suporte no adoecimento do idoso, já que não existe uma rede de assistência formal para esse fim.

Os cuidadores familiares passam a assumir, dentro de suas possibilidades, os cuidados relacionados ao portador de demência. Com a evolução do quadro, surgem sintomas psicológicos e comportamentais e, com isso, a vida dessa família passa a ser influenciada e prejudicada pelo declínio cognitivo, funcional e comportamental do idoso com demência.

Desse modo, observa-se prejuízo na saúde física e emocional do cuidador, que muitas vezes vê suas próprias necessidades deixadas de lado em função desse cuidado. É comum notar cuidadores sobrecarregados por tantas atividades de cuidado, o que os torna mais vulneráveis ao adoecimento.

Alguns cuidadores exercem os cuidados de maneira tranquila, com conhecimento, habilidades emocionais, suporte de familiares, porém, a grande maioria exerce a função de forma solitária e com muitas dúvidas em relação às melhores maneiras de cuidar e de lidar com o declínio cognitivo e comportamental desse idoso com demência, somadas às suas próprias demandas de cuidado.

O que dizer de uma idosa hipertensa cuidando sozinha de seu esposo idoso e com demência? Ou de uma filha que precisou sair de seu trabalho para exercer os cuidados?

É esperado que as pessoas com demência apresentem alguma alteração no quadro de adoecimento, como mudanças no comportamento pela necessidade de distanciamento social durante a Pandemia por COVID19? 

Sim, o isolamento social repercute negativamente na saúde do cuidador/familiar bem como no idoso demenciado.

Considerando-se o cuidador que recebe ajuda para executar algumas atividades para esse idoso, como, por exemplo, no momento do banho, ou, ainda, nas transferências da cama para a cadeira de rodas ou sofá; neste momento de distanciamento social, ele pode vir a receber menos ajuda e, com isso, perceber piora em sua saúde física e mental.

Somado a isso, normalmente sentem ansiedade, tensão e medo pela situação (Pandemia) e acabam transmitindo esses sentimentos ao idoso, que não possui recursos mentais para compreender a situação e a dimensão toda do problema. Além disso, a necessidade de utilização de máscaras como medida preventiva pode causar estranhamento desse idoso e disparar alterações comportamentais.

As alterações comportamentais tipicamente observadas no portador da doença de Alzheimer são: agitação, agressividade, delírios, alucinações, apatia, isolamento, irritabilidade, mania, perambulação, entre outros.

Tais sintomas acentuam-se pelo fato de perceberem a mudança em sua rotina, como a impossibilidade de sair na rua, conviver com familiares e deixar de receber alguns atendimentos prestados por fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, etc.

Como as pessoas que cuidam de alguém com demência podem receber suporte profissional e informações?

Considerando a necessidade dos cuidadores familiares continuarem recebendo informações, orientações e, especialmente, apoio neste momento que vivenciamos, a ABRAz São Carlos realizou seu primeiro grupo de apoio virtual no dia 13 de abril.

A ABRAz Sub-regional São Carlos/SP foi fundada em 2009 pelo médico psicogeriatra Dr. Pietro B. de Santis e é coordenada desde 2016 pela terapeuta ocupacional Ana Claudia Trombella Barros. Em parceria com a Santa Casa de São Carlos, realiza mensalmente, em seu auditório, Grupos Informativos, com palestras e bate papos, e Grupos de Apoio destinados a cuidadores familiares e profissionais, estudantes, profissionais da saúde e público em geral.

As reuniões, gratuitas, têm por objetivo transmitir conhecimentos sobre a doença de Alzheimer, formas de tratamento, cuidados cotidianos e proporcionar espaço para esclarecimento de dúvidas e troca de experiências, visando a melhoria da qualidade de vida dos envolvidos.

No próximo dia 28 de abril, 3a feira, ocorrerá o segundo grupo online e contará também com a participação de médico geriatra.

Para os interessados em participar dos grupos de apoio online, como devem proceder? É um serviço pago?

Cuidadores familiar são convidados a participar gratuitamente. Basta enviar mensagem informando seu interesse pelo e-mail: abrazsaocarlos@gmail.com ou pelo instagram: @abrazsaocarlos.

Para maiores informações, visite o site da ABRAz – http://abraz.org.br/web/

 

Referências Bibliográficas

Araraki, B.K. et al. Análise do desgaste e da sobrecarga de cuidadores/familiares de idosos com a Doença de Alzheimer causado pelos sintomas psicológicos e comportamentais.

Budson, A.E. Perda da Memória, doença de Alzheimer e Demência: Guia prático para clínicos. 2ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018.

SENGER, J. O impacto da pandemia do coronavírus nos cuidadores de pacientes com Doença de Alzheimer. Disponível em <http://abraz.org.br/web/2020/04/17/o-impacto-da-pandemia-do-coronavirus-nos-cuidadores-de-pacientes-com-doenca-de-alzheimer/ >. Acesso em 18 de abril de 2020.

Gratão, A.C. M. et al. Functional dependency of older individuals and caregiver burden. Rev Esc Enferm USP 2013; 47(1): 134-41.

Ferreira, C. R., & Barham, E. J. Uma intervenção para reduzir a sobrecarga em cuidadores que assistem idosos com doença de Alzheimer. Revista Kairós Gerontologia, 2016, 19(4), pp. 111-130.

Judith Bom, MSc,et al. The Impact of Informal Caregiving for Older Adults on the Health of Various Types of Caregivers: A Systematic Review. The Gerontologist in: Gerontologist, 2019, Vol. 59, No. 5, e629–e642, Advance Access publication 3 November 2018.

Créditos da imagem: drobotdean no Freepik

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8 thoughts on “Grupo de apoio virtual a cuidadores familiares de idosos com demências é oferecido pela ABRAz

    • Claudia A. Valente Santos says:

      Olá!
      solicito que você possa entrar em contato com a ABRAz São Carlos pelo e-mail abrazsaocarlos@gmail.com
      Eles poderão lhe dar mais informações.
      Também tem um perfil no instagram @abrazsaocarlos
      Creio que poderão lhe ajudar!
      Amanhã haverá uma Reunião sobre mediação de conflitos.
      obrigada por seu contato! grande abraço

      • Mirian Del Bono says:

        Quero participar do grupo. Sou filha e cuidadora da minha mãe com demência. Já procurei ajuda psiquiátrica, mas no dia-a-dia, é muito difícil. Sempre fui calma, paciente, mas tenho me exaltado frequentemente com ela, que está teimosa e resistente à higiene. Depois, me sinto muito mal, culpada. Na pandemia, piorou…
        .

      • Luciana Nogueira says:

        Estou cuidando da minha mãe com Alzheimer Há quase dois anos e como não sei nada a respeito tem sido muito desafiador. Quero participar do grupo.

  1. Marlene Freire do Nascimento says:

    Gostaria de saber se existe algum grupo de apoio a pessoas que se dedicam a cuidar de pessoas acamadas??
    Tenho minha irmã de 66 anos q tem epilepsia e eu cuido dela sozinha sem a ajuda de irmãos. Estou tão esgotada preciso de ajuda

  2. Valdir Oliveira says:

    Bom dia. Minha esposa está diagnosticada com “Alzheimer Precoce Severo” há quase dois anos. Ela tem hoje 66 anos. Há quatro meses a doença mostrou sua força e desde então , mesmo medicada, suas atitudes e falta de memória tem sido presente . Gostaria de participar de grupo de apoio.

  3. Marcia de Oliveira Santos says:

    Olá! minha mãe está com Alzheimer, e estou cuidando dela. Mas estou me deixando de lado, estou emagrecendo e mal consigo dormir. Gostaria de participar desse grupo de apoio.

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