Autoria: Rebeca Ribeiro Ferreira

Descrição da obra: Ao fazer uso da literatura, apresentarei um depoimento sobre minhas experiências no primeiro intercâmbio acadêmico. Como estudante de psicologia, pesquisei estratégias para amenizar o impacto psicossocial e as frustrações diante da pandemia. Com o medo de contaminação pela COVID-19, o temor em adoecer em outro país sem ter plano de saúde, a possibilidade do fechamento das fronteiras e a necessidade de adaptação às aulas virtuais, foi preciso exercitar a resiliência e a minha reinvenção todos os dias, buscando lidar com a situação de emergência mundial.

Expressão: Literatura

 

Intercâmbio acadêmico em meio a uma pandemia:

estratégias para lidar com a frustração e isolamento social

 

A felicidade em realizar o sonho de fazer o intercâmbio é imensurável. Após 3 anos me programando e participando de seleções, enfim consegui uma bolsa para fazer mobilidade acadêmica. Cheguei na Colômbia em 11 de janeiro de 2020 para estudar um semestre na prestigiada Pontifícia Universidad Javeriana de Cali. Desfrutei de 2 meses maravilhosos, conheci muita gente maravilhosa, pontos turísticos da cidade, aprimorei o espanhol com as amizades que fiz, de forma que facilitou meu acompanhamento nas aulas ministradas em espanhol. Estava tudo ocorrendo bem com a minha adaptação no país até receber a notícia da pandemia.

Tudo ocorreu muito rápido. O presidente da Colômbia decretou medidas de prevenção de contágio e dentre essas medidas estava o fechamento das fronteiras aéreas. Tudo estava fechado, até os serviços de migração suspenderam as atividades, permitindo assim que todos que desejassem retornar aos seus países recorressem aos voos de repatriação extremamente caros.

Foram muitas transformações vivenciadas com o início dessa pandemia. O repentino e brusco isolamento social que para quem está em intercambio é aterrador. Estar com outras pessoas é o ideal para a imersão cultural, aprimorar o idioma e adaptar-se ao novo meio ao qual se está inserido. Evitar o contato social para mim foi a pior experiência sentida durante o intercâmbio. Atrelado a isso estava o medo de contaminação do Covid-19, tendo em vista que o plano de saúde contratado não cobria pandemias. Adoecer seria muito difícil em um país em que não existe saúde pública. O fechamento das fronteiras garantiu a extensão do período de intercâmbio o que implicou em maior tempo de estadia na Colômbia até então não previsto. Além desses infortúnios, coube pouquíssimo tempo de adaptação ao método de ensino virtual, já que instituições privadas visam otimizar o tempo e garantir a oferta de serviços. Com essas mudanças na rotina, necessitei exercitar a resiliência para minimizar o impacto psicossocial do isolamento e me reinventar todos os dias para lidar com a emergência mundial.

Mediante a tantas dificuldades optei por transformá-las em oportunidades. Determinada a desfrutar da melhor maneira meu intercâmbio, busquei estratégias para amenizar o impacto psicossocial e as frustrações decorrentes da pandemia. Foi neste momento que entendi o significado resiliência, frente a minha capacidade de recuperar e me adaptar à má sorte frente a inédita pandemia e às mudanças resultantes das medidas de prevenção.

Dar luz aos meus dias se tornou um objetivo a ser alcançado. A fim de priorizar cuidados, listei três aspectos a serem cuidados em minha nova rotina: momento do corpo, momento da mente e momento de aprendizagem. Criei várias estratégias de cuidados em forma de atividades a serem compridas diariamente direcionadas a cada momento de cuidado. Para o cuidado ao corpo, me dediquei à atividades de movimentos – caminhadas, passeios de bicicleta, exercícios. O cuidado da mente foi mais desafiador, nunca tinha me dedicado a práticas de yoga e meditação, essa foi a oportunidade de exercitar essas atividades. Os momentos de aprendizagem foram através do uso de aplicativos de conversação em vídeo, além de adotar o estudo em cursos de ensino à distância.

Essas iniciativas me possibilitaram vivências nunca experimentadas na minha vida no Brasil. Descobertas inesperadas como a minha mais nova paixão por bicicletas, a valorização de momentos de cuidado comigo mesma, e experienciar sentimentos de
realização em conseguir superar as frustrações inevitáveis nessa pandemia só foram possíveis mediante a minha resiliência. Ganhei mais 2 meses na Colômbia e pude fazer novas amizades e realizar atividades nunca requisitadas até o momento. Cuidar de si implica em ampliar o bem-estar, e estando bem é fundamental para cuidar dos outros. Desta forma que aprendi ser é possível transformar momentos difíceis em oportunidades de viver novas e boas experiências.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *