Autoras:
Natália Menegassi Pedrini
Thauanna Alves Meira

Revisores:
Prof. Matheus Fernando Manzolli Ballestero
Prof. Francisco de Assis Carvalho do Vale

O que é tontura?

Tontura é um sintoma, uma forma geral de descrever sensações que incluem:

  • Desequilíbrio
  • Rotação
  • Balanço
  • Oscilação
  • Flutuação
  • Fraqueza
  • Desmaio.

Essas sensações podem se agrupar para caracterizar dois grandes grupos de tontura:

  • Tonturas vertiginosas
  • Tonturas não vertiginosas.

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O que é a tontura vertiginosa?

É a tontura que inclui ilusão de movimento do corpo ou do ambiente, ou seja, seu principal componente é a vertigem. As sensações percebidas são:

  • Movimentos para frente e para trás (balanço).
  • Movimentos para um lado e para outro (oscilação).
  • Movimentos giratórios nos quais a própria pessoa se sente girando ou nos quais a pessoa sente o ambiente em sua volta girando (rotação).

Qual é a origem da vertigem?

Podemos citar duas origens:

  • Periférica: quando o distúrbio que causa a vertigem advém da orelha interna.
  • Central: quando o distúrbio que causa a vertigem advém do cérebro.

A origem da vertigem define como ela pode ser chamada. Ou seja, existem a vertigem periférica e a vertigem central.

O que é a orelha interna?

A orelha externa é o que chamamos de “orelha”, o que vemos por fora da cabeça. Já a orelha interna é uma continuação da orelha externa para dentro da cabeça, ela é uma pequena estrutura envolta por uma “casca” óssea e revestida internamente por uma membrana banhada por líquido que contém minerais. Importante ressaltar que a orelha interna também é conhecida como “labirinto”. Os seus componentes são:

  • Cóclea: estrutura em espiral parecida com um casco de caracol, que tem como função traduzir os sinais de som para o cérebro.
  • Aparelho vestibular: estrutura formada por três canais semicirculares, em forma de meia-lua, e por duas regiões abauladas chamadas de órgãos otolíticos. Ele recebe o nervo vestibular que envia para o cérebro informações sobre a posição da cabeça para permitir que o corpo mantenha o equilíbrio
Foto: https://www.biologianet.com/anatomia-fisiologia-animal/aparelho-vestibular.htm

Quais são as principais causas da vertigem central?

A principal causa da vertigem central é o AVC (acidente vascular cerebral, conhecido popularmente como “derrame”). Outras causas incluem a demência, síndromes desmielinizantes, enxaqueca e outras doenças que causam alterações cerebrais. Esse tipo de vertigem é menos comum e geralmente acomete idosos.

Quais são as principais causas da vertigem periférica?

Popularmente, a labirintite é considerada a causa mais comum de vertigem periférica, entretanto há outras causas mais prevalentes. A seguir, estão as causas mais comuns de vertigem periférica:

  • A vertigem posicional paroxística benigna (VPPB): causada pela presença de cristais de carbonato de cálcio nos canais semicirculares, é descrita como início rápido de rotação gerado por movimento rápido da cabeça, os sintomas têm duração de segundos e compreende a grande maioria das vertigens periféricas.
  • Doença de Ménière: causada por excesso do líquido presente dentro da orelha interna, além da sensação de vertigem, a pressão gerada leva à dor e a alterações auditivas, os sintomas duram de minutos a horas.
  • Neurite Vestibular: causada por inflamação do nervo vestibular, além da vertigem, pode levar a alterações na forma de caminhar, náuseas intensas e vômitos, os sintomas duram de horas a dias.
  • Labirintite: causada por infecção aguda do labirinto, apresenta vertigem intensa e sintomas relacionados ao processo infeccioso que a causou (febre, cefaleia (dor de cabeça), hipoacusia (diminuição da audição), rigidez de nuca etc.), tem longa duração e é rara.

O que é tontura não vertiginosa?

É a tontura que não envolve a ilusão de movimento, mas sim outras sensações, como fraqueza, cabeça vazia, lipotímia (quase desmaio), podendo chegar à síncope (desmaio). As causas estão relacionadas com componentes majoritariamente biológicos, como hipotensão (pressão arterial baixa), anemia, hipoglicemia (baixa quantidade de glicose no sangue) e alterações hormonais; assim como com componentes majoritariamente psicológicos, como transtorno do pânico, ansiedade, estresse emocional e depressão.

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Como proceder em caso de tontura?

Podemos afirmar que a “tontura” é um sintoma da labirintite, porém a presença de tontura também está relacionada com outras patologias. Em caso de tontura, podemos concluir que, se houver componente de vertigem, o problema pode estar sendo originado na orelha interna ou no cérebro e, se não houver componente de vertigem, a origem envolve componentes gerais do nosso organismo como um todo. Portanto, ao apresentar tontura, é aconselhável a procura por um serviço de saúde para melhor investigação e tratamento.

 

Referências:

  1. BAUMGARTNER, B.; TAYLOR, R. S. Peripheral Vertigo. StatPearls. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK430797/. Acesso em: 2 jul. 2020.
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  3. GAGLIARDI, R. et al. Tratado de Neurologia da Academia Brasileira de Neurologia. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2019.
  4. GREENBERG, D. A. et al. Neurologia Clínica. 8. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014.
  5. HAIN. Dizziness, imbalance, and hearing disorders. 2021. Disponível em: http://www.dizziness-and-balance.com/disorders/. Acesso em: 22 mar. 2021.
  6. JAMESON, J. L. Harrison’s principles of internal medicine. McGraw-Hill Education, 2018.
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  8. MARTINS, M. A. et al. Clínica Médica, volume 6: doenças dos olhos, doenças dos ouvidos, nariz e garganta, neurologia, transtornos mentais. 2. ed. Barueri: Manoele, 2016.
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Créditos da imagem: Wayhomestudio no Freepik

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