Nestas férias, incentive o brincar! 

Crescer brincando: benefícios para o desenvolvimento infantil.

Em períodos de férias escolares com limitações e restrições sociais diante do cenário atual, podemos não perceber o potencial dos brinquedos como um símbolo que abre uma infinidade de possibilidades, e que, sendo usado de acordo com a idade, pode estimular o desenvolvimento das habilidades da criança. 

Uma das mais reconhecidas características do comportamento na infância constitui-se pelo brincar. 

O brincar é potencializador do processo do desenvolvimento infantil em seus diversos aspectos, físico, social, sensório-motor, emocional e cognitivo. Além disso, o brincar contribui para o processo de aprendizagem e interpretação da realidade ao longo do crescimento da criança (JOAQUIM et al, 2018).

O documentário “Tarja Branca: a revolução que faltava” investiga memórias da infância e traz a reflexão sobre a importância do brincar e suas manifestações na vida adulta e na condição existencial do ser. “O que falta muito neste mundo é um pouco de brincadeira, entendeu? Em tudo! Quando você perde essa capacidade de brincar, eu acho que você perde uma conexão com sua essência” (TARJA BRANCA: a revolução que faltava, 2014, trecho 4:30 min).

Ainda, a obra cinematográfica aborda também a desvalorização do brincar na contemporaneidade: “É assustador quando a gente põe numa roda um monte de crianças e fala: ‘O que você mais gosta de fazer é brincar ou ir ao shopping?’ e nove, das dez crianças, dizem ir ao shopping! Quer dizer, é claro que entrou como uma substituição” (TARJA BRANCA: a revolução que faltava, 2014, trecho 16:51 min).

Piaget (1978) diz que o brincar e os brinquedos são indispensáveis no desenvolvimento infantil, visto que contribuem e enriquecem esse processo, principalmente quando a criança atribui valor ou função ao objeto do brincar. Nessa perspectiva, Vygotsky et al (1988) refere-se ao brincar e aos brinquedos como primordiais para a concepção de novas aprendizagens e interações sociais.

Deste modo, o brinquedo é um objeto atrativo de suporte ao brincar, que terá como finalidade estimular habilidades e expressões dos aspectos do cotidiano, bem como será responsável por reflexos na vida adulta.

Então, cabe aos pais ou aos responsáveis oferecerem estes brinquedos adequadamente, visto que cada faixa etária exige sua atenção

Brinquedos e brincadeiras que promovem o desenvolvimento nas diferentes faixas etárias:

Joaquim, Barba e Albuquerque (2015) e o Inmetro (2013) apresentam algumas sugestões indicadas por faixa etária:

  • 1 aos 3 meses: por ser uma fase de exploração sensório-motora, é imprescindível que sejam oferecidos brinquedos que estimulem a audição, visão, tato e motricidade, como chocalhos, móbiles, brinquedos com diferentes texturas ou que levem o bebê a se movimentar. 
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Figura 1: Chocalho  [Fonte: Canstockphoto]
  • 4 aos 6 meses: por já apresentar ganhos motores, deve-se oferecer brinquedos que o bebê consiga passar de uma mão para a outra, estimular o pegar e soltar, assim como oferecer espelhos que o incentivem ao reconhecimento de si. Cabe incluir a importância de serem brinquedos não tão pequenos.
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Figura 2: Dados (passar de mão em mão, estimular o pegar e soltar) [Fonte: Canstockphoto]
  • 6 meses a 1 ano: nesta fase, a independência do bebê aumenta, começa a ficar em pé, apoia-se, apresenta balbucios e tem interesse em ilustrações. Assim, deve-se oferecer brinquedos de encaixe, panelas e tampas, brinquedos de puxar e bonecos de pano.
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Figura 3: Brinquedo de encaixe [Fonte: Canstockphoto]
  • 1 ano: nesta fase, geralmente, a criança já aprendeu a andar, dizer “não” e apegar-se a objetos. Então, é interessante oferecer jogos de encaixe, brinquedos sonoros, massinhas de modelar e tintas comestíveis, carrinhos e bonecas, bolas, velocípede, livrinhos, piscina de bolinhas e cabaninha.
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Figura 4: Bola [Fonte: Canstockphoto]
  • 2 anos: ao decorrer desta idade, a criança torna-se mais independente no que diz respeito ao autocuidado e aos movimentos motores, assim como utiliza com maior frequência a verbalização. Pode-se oferecer: argila, massinha de modelar, brinquedos para apertar, carrinhos e bonecas, brinquedos de pintura e alinhavo.
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Figura 5: Carrinho [Fonte: Canstockphoto]
  • 3 anos: aos três anos inicia-se o aprendizado pedagógico, maior controle da força e coordenação e exploração da imaginação. Então, cabe oferecer fantoches, fantasias, bonequinhos e carimbos industriais.
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Figura 6: Fantoches [Fonte: Canstockphoto]
  • 4 anos: durante esta fase, as interações sociais são maiores e as habilidades mais definidas. Pode-se oferecer quebra-cabeças com peças grandes, livros para nomear figuras e desenhos, espuma e materiais de colagens.
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Figura 8: Quebra-cabeça [Fonte: Canstockphoto]
  • 5 anos: nesta fase, completa-se o desenvolvimento neuropsicomotor. A criança não necessita mais de tanta supervisão nos cuidados diários e valoriza a companhia de adultos ou de outras crianças. Então, vale oferecer brinquedos de construção (cidadezinha, fazendinha, casinha), brinquedos que simulem meios de transporte (caminhões, automóveis e pistas, motos, aviões, trens elétricos, barcos e tratores), instrumentos musicais e eletrônicos, kits para colorir, jogos de palavras e memória.
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Figura 9: Trenzinho [Fonte: Canstockphoto]
  • 6 a 9 anos: a criança, durante estas idades, apresenta habilidades mais complexas e apresenta maior domínio do esquema corporal, assim como aprofunda seu aprendizado na leitura e escrita. Dessa forma, cabe aos pais apresentarem brinquedos que auxiliem no entendimento das normas sociais. Pode-se oferecer jogos de tabuleiro, carros de corrida, jogos de construção, patins e patinetes, jogos e brinquedos eletrônicos, bonecas de moda ou personagens.
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Figura 10: Patinete [Fonte: Canstockphoto]
  • 9 a 12 anos: ao decorrer desta fase, habilidades específicas são desenvolvidas e a exploração do esquema corporal ampliada. Pode-se oferecer jogos de mágica, kits de química, videogames, pingue-pongue, instrumentos musicais, livros e discos.
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Figura 11: Teclado [Fonte: Canstockphoto]
  • Acima dos 12 anos: a partir desta idade, os gostos passam a misturar-se com os dos adultos. Cabe oferecer jogos eletrônicos e videogames mais complexos, jogos de tabuleiro e de aventuras, miniaturas e coleções.
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Figura 12: Jogo de tabuleiro [Fonte: Freepik]

Considerações Finais

Considera-se o brincar e os brinquedos fundamentais para o desenvolvimento infantil. 

No brincar, a criança se relaciona com a realidade externa, expressa seu mundo interno e se desenvolve nos aspectos motores, cognitivos, emocionais e sociais. 

Os brinquedos condizentes com a fase do desenvolvimento da criança proporcionam os estímulos que possibilitam expor seus sentimentos, vontades e opiniões, fatores importantes para toda a vida. 

Dessa forma, convidamos as famílias a promoverem, nessas férias escolares, espaços e momentos de partilha nos quais o brincar possa proporcionar às crianças a oportunidade de se desenvolver, brincar junto e viver esse momento de desenvolvimento infantil com toda leveza e beleza! 

 

Referências 

JOAQUIM, R. H. V. T., BARBA, P. C. S. D., ALBUQUERQUE, I. de. Desenvolvimento da criança de zero a seis anos e a terapia ocupacional. EdUFSCar, ed. 1, 2015.

JOAQUIM, R.H.V.T., SILVA, F. R. da, LOURENÇO, G. F. O faz de conta e as brincadeiras como estratégia de intervenção para uma criança com atraso no desenvolvimento infantil. Cad. Bras. Ter. Ocup. UFSCAR, São Carlos, v. 26, n. 1, p. 63-71, 2018. Disponível em: <http://www.cadernosdeterapiaocupacional.ufscar.br/index .php/cadernos/article/view/1957/944>. 

MDIC/Inmetro (2013). Inmetro indica brinquedos mais adequados por faixa etária. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Disponível em: <http://www.inmetro.gov.br/imprensa/releases/Inmetro-indica-brinquedos-mais-adequados-por-faixa-etaria.pdf>.

PIAGET, J. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1978.

TARJA BRANCA: a revolução que faltava. Direção de Cacau Rhoden. São Paulo: Maria Farinha Filmes, 2014. 1 DVD (80 min.)

VYGOTSKY, L. S, LURIA, A. R., LEONTIEV, A. N. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. Tradução de Maria da Penha Villalobos. 2. ed. São Paulo: Ícone, 1988. p. 103-117.

 

Texto por:
Regina Helena Vitale Torkomian Joaquim, Professora Associada do Departamento de Terapia Ocupacional e do Programa de Pós-Graduação em Terapia Ocupacional da Universidade Federal de São Carlos.
Marcela Fabiana Rodgher Mazzoni, Graduanda em Terapia Ocupacional na Universidade Federal de São Carlos.

Revisão por:
Déborah Carvalho Cavalcante
Monika Wernet
Patrícia Della Barba

Créditos da imagem: Pressfoto no Freepik

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