Sobre LGBTQIA+

É comum sermos indagados sobre o significado da sigla LGBTQIA+. Somado a isso, se, de fato, é necessário pronunciarmos todas as letras da sigla e do porquê de existir um dia específico, no calendário, tratando do orgulho LGBTQIA+.

Buscando responder parte dessas perguntas, em 2020, coordenei uma atividade de extensão que seria desenvolvida com profissionais da Estratégia Saúde da Família de São Carlos/SP, mas que precisou ser adaptada devido o advento da pandemia da Covid-19. Essa atividade gerou frutos relevantes produzidos por estudantes que se debruçaram  sobre as questões de gênero e sexualidade, explicitando o fato de que ninguém nasce sabendo, mas que a aprendizagem é algo constante e buscá-la demonstra inteligência.

Glieb Slywitch Filho, estudante do curso de Medicina da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), foi bolsista da atividade de extensão “Educação em Saúde: falando sobre LGBTQIA+ com estudantes de graduação e profissionais da Estratégia Saúde da Família” e protagonizou os trabalhos produzidos junto com Andressa Soares Junqueira e Maria Júlia Rodrigues Alves, ambas estudantes do curso de Enfermagem da UFSCar. O trio elaborou uma série denominada “Somos LGBTQIA+”, composta por materiais (in)formativos destinados à compreensão de algumas nuances presentes na sigla LGBTQIA+. Assim, se aventuraram pelas questões de gênero, sexo, orientação sexual e sexualidade, articuladas aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), buscando ofertar, de maneira simples e rápida, elementos capazes de esclarecer ou responder parte das dúvidas com relação à sigla LGBTQIA+:

   

Além desse produto, também foi confeccionado outro material contemplando os motivos pelos quais é importante pensarmos nas necessidades de saúde das pessoas LGBTQIA+ e nos fatores de risco que parte delas estão submetidas, tais como homossexuais e transexuais:

   

Vale frisar que a atividade de extensão em questão gerou a elaboração e apresentação de dois trabalhos diferentes: um apresentado no 9º Congresso Brasileiro de Extensão Universitária, abordando os produtos elaborados durante o percurso da atividade e outro no I Congresso Internacional Interdisciplinar sobre Políticas Públicas de Saúde, explicitando o processo de desenvolvimento de grupalidade na organização e elaboração das produções. Somado a isso, as produções foram encaminhadas à Secretaria Municipal de Saúde de São Carlos/SP para que fosse divulgada entre os profissionais de saúde da rede, visando alcançar, da forma possível, um dos objetivos da atividade de extensão em questão, que consistiu em tratar sobre a temática LGBTQIA+ com os(as) profissionais da Estratégia Saúde da Família.

E por que existir um dia destinado ao orgulho LGBTQIA+

O dia 28 de Junho de 1969 marca uma série de manifestações ocorridas em Nova York contra a polícia norte americana, que invadiu o bar Stonewall Inn, reduto de pessoas LGBTQIA+ em Manhattan. Naquele momento, já existiam movimentos contra-hegemônicos requerendo direitos, sobretudo, à(aos) homossexuais e também já existiam outras manifestações prévias como, por exemplo, a ocorrida em São Francisco, na Compton’s Cafeteria, na década de 1960. Mas a Revolta de Stonewall foi emblemática por: ter ocorrido na cidade de Nova York, epicentro econômico norte-americano; pelas lutas por liberdade sexual e igualdade de gênero, que vieram ganhando força durante as décadas de 1950 e 60; pela afirmação de uma identidade homossexual coletiva e igualitária, com a criação de laços de solidariedade em torno da palavra “gay”; e o fato dos Estados Unidos contar com legislações discriminatórias e de criminalização da homossexualidade em grande parte de seus estados (QUINALHA, 2020).

A partir de então, cria-se o dia do Orgulho LGBTQIA+ como um marco político de (re)existência da população LGBTQIA+ em busca do direito de ser reconhecida como parte integrante do planeta.

Como explicitada na produção elaborada pelas(o) estudantes, a expectativa de vida de pessoas homossexuais é de 49 anos e de transexuais é de 29 anos (MENDES, SILVA, 2020). Ou seja, a expectativa de vida de parte das pessoas presentes na sigla (mais especificamente, as LGT) é bem mais baixa do que a de pessoas heterossexuais brasileiras, o que nos sinaliza a necessidade de olharmos para as necessidades de saúde dessa população. Por que elas morrem tão cedo? Há algo possível de ser feito para evitarmos as causas dessas mortes?

Cada letra da sigla representa uma pessoa que difere da norma hetero-cis-normativa e que sofre algum tipo de preconceito apenas por ser quem é, sendo múltiplas as formas de ser, expressar, amar e estar no mundo. Por isso, o + representa todas as formas não representadas pelas lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros, queer, intersexuais e assexuais.

Assim, a existência de um dia no calendário, destinado ao Orgulho LGBTQIA+, consiste em mais uma tentativa de busca pela explicitação da relevância de se pensar nessas pessoas, em suas necessidades de vida, de direitos, de saúde… sendo também uma forma de demonstrar que as relações humanas deveriam ir além das questões de sexo, gênero ou orientação sexual, mas respaldadas na essência do “ser” humano: diverso na diversidade, presente em cada espaço da infinita paleta de cores que constrói o mundo.

Autoria de
Flávio Adriano Borges

Grupo Temático Diversidade e Cidadania
Amanda Lélis Angotti Azevedo
Andressa Soares Junqueira
Beatriz Barea Carvalho
Carla Regina Silva
Carolina Serrati Moreno
Glieb Slywitch Filho
Jhonatan Vinicius de Sousa Dutra
Larissa Campagna Martini
Laura Maria Brito de Araújo
Letícia de Paula Gomes
Natália Pressuto Pennachioni
Natália Sevilha Stofel
Uma Reis Sorrequia

Créditos da imagem: Freepik no Freepik

Referências:

QUINALHA, R. O mito fundador de stonewall: onde quase tudo começou. In: IGNACIO, T.; DUARTE, A. M.; FERREIRA, G. G.; BURIGO, J.; GARCIA, T. O.; BUENO, W. (Orgs.). Tem saída? Perspectivas LGBTI+ sobre o Brasil. Porto Alegre: Zouk, 2020, p. 43-48.

MENDEZ, W. G.; SILVA, C. M. F. P. Homicídios da população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros (LGBT) no Brasil: uma análise espacial. Ciência & Saúde Coletiva; 25(5):1709-1722, 2020.

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