PermaneSer e a Pesquisa na Universidade- UFSCar (Sorocaba)

É de conhecimento geral que neste momento tão caótico construir diálogos é algo ainda mais difícil. Além da distância também não temos consciência da vida cotidiana de cada um. 

Por isso, este projeto visa a democratização de conteúdos, tornando acessível espaços que direcionam informações pertinentes à vida dos estudantes. Não apenas no que diz respeito a promover saúde, o projeto PermaneSer tem objetivos de construir e elucidar fluxos de apoio estudantil dentro da Universidade, com conteúdos que resgatam o funcionamento dessa assistência estudantil em cada um dos Campi – Araras, lagoa do Sino, São Carlos e Sorocaba

Assim, cogitar a pesquisa como instrumento de estímulo e favorecimento da permanência estudantil dentro da Universidade torna-se importante.

Para isso, a equipe do Projeto PermaneSer trabalha em uma série de publicações que tratam sobre o assunto da Pesquisa na Universidade, com direcionamento para todos os campus. E no primeiro trabalho tivemos a honra de entrevistar, por meio de perguntas, a Professora Doutora Rita de Cássia Lana, que irá representar o campus de Sorocaba da UFSCar. 

Rita de Cássia Lana – historiadora e Doutora em Ciências pela USP; coordenadora do programa de pós-graduação em Geografia / mestrado acadêmico e representante de pesquisa do DGTH junto à ProPq e ao CoPICT

O que é uma pesquisa dentro da universidade?

Resposta: Bom, eu vou responder essa pergunta já conectando com uma segunda pergunta, que é qual a relação e importância da pesquisa no conjunto extensão e ensino da universidade pública. Acontece que no Brasil nós temos um marco legal dentro da estruturação das universidades  públicas que é dado pela Constituição Federal, o qual determina que não se pode separar o ensino e a extensão dos aspectos da pesquisa – é o chamado princípio da indissociabilidade. Dessa forma, a pesquisa é um aspecto inerente na própria existência da universidade e realização das investigações sobre os mais diversos objetos e temas funciona de tal maneira que alimenta o ensino e a extensão e por sua vez recebe deles contribuições que vão ampliar as possibilidades da pesquisa. Portanto, entendo que a pesquisa, no que traz de aportes ao ensino e à extensão, é a própria razão de ser da universidade, pois dela advém novas possibilidades para aumentar o conhecimento científico e sua difusão dentro e fora da universidade.

Por que é interessante realizar uma pesquisa?

Resposta: De fato todas as pessoas acabam realizando pesquisas em diversos momentos do seu dia a dia, ao longo da vida, etc. Se entendemos “pesquisa” como resposta a um problema ou algo que se deseja resolver ou compreender já está de alguma forma sinalizado, ao se buscar uma solução, que haverá um caminho até o que se almeja conquistar. Um exemplo disto é que se alguém não se sente bem, fica doente e necessita descobrir como recuperar a saúde vai em busca de um profissional que pode ajudar, isto é, procura um médico ou recorre a um farmacêutico para comprar um remédio; nessa situação tão corriqueira é possível identificar muitos dos aspectos envolvidos quando se faz pesquisa – existe um objetivo a ser alcançado, há uma expectativa ou um pré-conhecimento sobre o que é necessário para se chegar ao objetivo (hipótese/método), contudo não há uma certeza absoluta se o curso de ação escolhido trará o resultado desejado ou previsto. Existe, portanto, uma analogia parcial entre o exemplo inicial e o que motiva a realização de uma pesquisa; digo parcial pois há que se reconhecer que muitas pesquisas tem como razão inicial tão somente um desejo de compreender como algo se dá e nem sempre são aplicadas (ou seja, visam dar respostas ou solucionar problemas). O interesse e a beleza que existe em pesquisar reside em que não se pode mensurar de antemão qual será o alcance do que vai ser possível obter, embora os métodos introduzam uma certa previsibilidade de etapas a serem observadas para justamente prover um norte ao pesquisador e reduzir assim as chances de que o objetivo se perca ou que se desvirtue o interesse que levou à investigação. 

Quais os objetivos de uma pesquisa?

Resposta: Os objetivos de uma pesquisa dependem diretamente do que o pesquisador deseja alcançar e qual é o nível de capacidade e maturidade que ele detém; quanto mais experiente for o pesquisador, mais profundos ou abrangentes serão os objetivos propostos – é muito diferente o alcance de uma pesquisa de iniciação científica do que se espera em um mestrado ou em um doutorado – mas essencialmente esses objetivos precisam ser coerentes com o campo de conhecimento em que a pesquisa vai se inserir e delimitados de acordo com o que existe de possibilidades reais disponíveis para quem vai realizá-la.

Como começar um projeto de pesquisa?

 Resposta: Primeiro é necessário encontrar alguma questão, pergunta ou problema que possa ser investigado em nível científico; a partir daí deve-se buscar subsídios que permitam situar esse problema ou pergunta no contexto de um campo de conhecimento, do qual virão subsídios para a elaboração do projeto propriamente em dito – é isso que se chama “revisão de literatura” ou o que às vezes se entende como “estado da arte”. Essa etapa é muito importante pois permite elaborar a justificativa para o projeto ser realizado.

A pesquisa ajuda na permanência estudantil?

Resposta: Não só ajuda como se estende para além da graduação; é observado estatisticamente que estudantes que se envolveram com pesquisas de iniciação durante o bacharelado ou a licenciatura acabaram não apenas concluindo seus cursos com brilhantismo como deram sequência aos estudos em nível de pós-graduação em proporção bastante significativa.

Quais são as formas de conseguir bolsas em pesquisa?

Resposta: Bem, basicamente trata-se de buscar um pesquisador mais experiente para ter orientação desde a elaboração inicial do projeto e contar com a possibilidade de submetê-lo às agências como a FAPESP, o CNPq e outras que abrem possibilidade de financiar pesquisas de iniciação científica, treinamento, etc.; existem agências que disponibilizam as chamadas “bolsas em fluxo contínuo”, ou seja, não tem época certa e o orientador pode fazer o pedido à agência independente de abertura de edital, em qualquer momento do ano; também existem os editais que oferecem uma quantidade específica de bolsas regularmente, como ocorre anualmente com o CNPq.

Os alunos podem escolher qualquer área de interesse ou é apenas restrito à área do curso?

Resposta: O entendimento sobre a pesquisa em nível de iniciação científica é que qualquer estudante da graduação é apto para realizá-la, podendo ser orientado por qualquer docente da Universidade, inclusive de outros campi. Contudo, por razões de atribuição de produção científica e menor número de bolsas disponíveis, tem sido menos estimulado que o aluno busque o orientador principal fora da universidade em que estuda, mas nada impede que haja coorientação de especialistas entre universidades para pesquisas específicas.

Como conseguir orientação/orientador?

Resposta: O estudante deve se decidir pela área ou campo de conhecimento em que deseja realizar a pesquisa e depois identificar através de busca na Plataforma Lattes que docentes em sua universidade são especialistas na temática selecionada; a partir daí, pode iniciar um contato com o possível orientador para definir que ações serão as mais indicadas.

Quanto tempo dura uma pesquisa?

Resposta: Se for iniciação científica serão doze meses, podendo ser prorrogada por período igual; não é permitido que um pesquisador acumule duas bolsas em pesquisas concomitantes, inclusive por ser duvidoso que a qualidade das pesquisas seja adequada ao esperado nessas condições.

Uma pesquisa é importante para o currículo?

Resposta: Sim, é importante como um diferencial em seleções para trabalho e estágios pois sinaliza a quem está avaliando o currículo que o candidato tem maturidade para propor e finalizar um projeto, passando portanto uma mensagem de confiabilidade; mas a importância não fica apenas no currículo, pois faz muita diferença no amadurecimento intelectual, cognitivo e mesmo emocional que estão envolvidos no processo para o próprio pesquisador.

Como está o investimento na pesquisa em geral no cenário atual?

Resposta: Os investimentos em pesquisa do meu ponto de vista estão sofrendo, além da redução do montante ano a ano, um duplo impacto que se explica em parte pela conjuntura 2019-2020, o que também de alguma forma representa um agravamento que já vinha se anunciando, ou seja, por um lado uma alteração bastante acentuada nas linhas de financiamento e áreas a serem priorizadas na concessão de recursos por parte das agências públicas e por outro a emergência de objetos e temáticas de pesquisa relativamente recentes no Brasil e que disputam a destinação das verbas apoiadas em demandas que partem de vários grupos sociais interessados. Naturalmente que essa não é uma situação que de um ponto de vista histórico possa ser chamada de inédita, porém o momento de crise socioeconômica, política e emergência sanitária mundial causada pela pandemia precisam ser devidamente pontuados; entretanto, as saídas para diversas, senão quase toda as questões que estão postas de momento só apresentarão cenários futuros promissores se vierem de mãos dadas com a pesquisa, como tem sido demonstrado no caso da covid-19.

Gostaríamos de agradecer a disposição da Professora Rita ao doar parte do seu tempo para o nosso projeto.

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Créditos da imagem: Projeto PermaneSer

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