Já é conhecida a importância do uso das máscaras para diminuir a transmissão da COVID-19 e também sua obrigatoriedade nas normatizações para a reabertura do comércio. Mas o uso delas não é a única medida de segurança dos trabalhadores do comércio. A segurança no trabalho dependerá de uma série de outras recomendações para a reabertura segura destes locais.

Segundo estudo do Núcleo de Economia Regional e Urbana da Universidade de São Paulo (NEREUS), os trabalhadores do comércio por atacado e varejo possuem risco ocupacional em desenvolver COVID-19 de 57 pontos (numa escala de 0-100), o que se aproxima dos profissionais que trabalham em ambiente hospitalar (aproximadamente 70 pontos). Esta pontuação é baseada na proximidade e contato com outras pessoas, e a própria exposição à doenças durante um ano, mês ou dia.

Sabemos que a reabertura do comércio sem que o número de contaminados pelo coronavirus esteja em declínio é uma questão controversa, conforme já discutido no texto do dia 29 de maio de 2020. No entanto, os Planos Estaduais e decretos municipais estão encaminhando para a flexibilização do distanciamento social, com a possibilidade de abertura do comércio desde que atendidos rigorosamente os critérios estabelecidos. Neste contexto, é importante que o comerciante entenda que, decidindo por abrir, precisará seguir as orientações para garantir a segurança dos seus trabalhadores e clientes.

As orientações gerais para segurança no comércio destacadas no Plano São Paulo são:

  • Garantia do distanciamento social de ao menos 1,5 metro entre as pessoas a todo momento e sempre com o uso de máscara; 
  • Disponibilização de álcool em gel para higiene pessoal, limpeza e higienização de ambientes e superfícies com produtos adequados para a eliminação do vírus;
  • Boa comunicação e;
  • Monitoramento das condições de saúde da equipe e clientes, 

Além disso, o Plano São Paulo disponibiliza também Protocolos Sanitários Intersetoriais e Setoriais que podem ser acessados através dos links abaixo. 

       

Vamos considerar o exemplo do estado de São Paulo. Se você é comerciante e possui uma equipe, primeiro precisa saber qual setor da economia seu estabelecimento se enquadra. São considerados comércio essencial apenas os estabelecimentos de setores da saúde (hospitais, clínicas, farmácias, lavanderias e serviços de limpeza e hotéis), alimentação (supermercados e congêneres), abastecimento (transportadoras, postos de combustíveis e derivados, armazéns, oficinas de veículos automotores e bancas de jornal), segurança e comunicação social. Estes, portanto, podem permanecer abertos mesmo em momentos mais críticos, enquanto os estabelecimentos dos setores de eventos e espaços públicos serão os últimos a reabrir. Estar atento às informações presentes no Plano São Paulo te ajuda a entender como agir, mas ainda é preciso estar atento a normas municipais.

Todas as fases dessa retomada e os protocolos de operação recomendados devem ser conhecidos pelos comerciantes. Além disso, é necessário que seja garantido o acesso a essas informações pelos trabalhadores, através de reuniões, discussões, esclarecimentos, treinamentos e cartazes explicativos, que também garantem a informação aos clientes. Ninguém está se sentindo seguro neste momento. Sua segurança e compromisso com a saúde pode levar à sua equipe à capacitação necessária. Não ignore as recomendações de proteção em nenhuma hipótese. É um momento difícil para todos e nesse cenário, a clareza, a busca por informações confiáveis e paciência são essenciais.

Além disso, o FUNDACENTRO disponibilizou uma cartilha que está disponível para download, em que são apresentadas orientações para prevenção e controle da COVID-19 nos locais de trabalho. No documento é possível encontrar também orientações sobre como realizar um plano de ação em resposta à pandemia, adequado ao seu tipo de setor.

José (nome fictício) é proprietário de duas barbearias na cidade de São Carlos e, neste último mês, seus estabelecimentos foram autorizados a funcionar por apenas duas semanas. No entanto, por São Carlos ter retornado na Fase 2 do Plano São Paulo, as barbearias voltaram a ser fechadas. José, contou um pouco de como fez para garantir a segurança dos seus colaboradores e clientes durante o período que pode funcionar.

     Quando reabriu a barbearia, José destacou que, as informações sobre como garantir a segurança dos colaboradores não estavam bem definidas. “Não existiam protocolos específicos para o meu tipo de negócio aqui na cidade e  buscamos essas recomendações em documentos de outros estados para o setor” Alguns cuidados com a higiene, como uso do álcool 70%,  lavagem das mãos e higienização dos objetos já eram parte da rotina do trabalho. No entanto, para adequação ao protocolo específico foi disponibilizado materiais descartáveis, intensificação dos hábitos de higiene para realização do atendimento e a recomendação do controle de quantidade de pessoas no local. 

Muitos outros comerciantes provavelmente estão como o José, buscando informações para se preparar para a reabertura, e possivelmente com informações não suficientes para garantir a segurança de seus trabalhadores. Certamente a retomada das atividades tem gerado diferentes reações entre as pessoas, sejam usuários ou trabalhadores, porém já entendemos que as mudanças no cotidiano do trabalho precisam ser incorporadas por respeito a vida e a saúde de todos. Quanto mais comprometido o setor estiver com as medidas de proteção, certamente estaremos contribuindo para a retomada das atividades presenciais seguras e sem interrupções.

Caso ainda tenha dúvidas sobre a saúde e segurança dos seus funcionários e clientes para a retomada consciente, entre em contato com o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador de sua região (consulte qual a sua região aqui) ou envie um e-mail para Plano São Paulo: plano@sp.gov.br.

Crédito da Imagem:Foto de August de Richelieu no Pexels

Autoria de

Juliano Ferreira Arcuri

Natália Schichi Valverde

 

Revisão de Conteúdo por

Cristiane Shinohara Moriguchi de Castro

Débora Couto Carrijo

Eduardo Pinto e Silva

Fernanda Maria de Miranda

Mariana de Almeida Fagá

Priscilla Viégas

Vera Regina Lorenz

Vivian Aline Mininel

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