O consumo de chás é um hábito cultural frequente na população brasileira, especialmente entre as pessoas idosas, sendo inclusive uma forma de transmissão de conhecimentos sobre cuidados em saúde entre as gerações.

Em alguns casos, proporciona alguns benefícios para a manutenção da saúde. Entretanto, sua utilização combinada com certos medicamentos pode causar interações medicamentosas, alterações nos efeitos dos fármacos (remédios) com consequências indesejadas para a terapia do paciente.

Devido, em parte, a esses efeitos, a ingestão de medicamentos é geralmente recomendada com auxílio de água; porém, a recomendação médica deve prevalecer.

Por isso, devem ser informados ao profissional da saúde os medicamentos e os chás de uso frequente para serem contabilizadas as interações medicamentosas com novas terapias.

Para ajudar  a evitar problemas com a combinação Chás +  Medicamentos elaboramos uma lista com as plantas medicinais mais utilizadas no Brasil e suas possíveis interações com medicamentos para tratamento a saúde.

 

Design por Amanda Penetta

 

ALCACHOFRA

Com benefícios digestivos deve ser evitada durante o uso de diuréticos (medicamentos usados para hipertensão e insuficiência renal e cardíaca), pois potencializa os efeitos do fármaco,podendo causar hipocalemia (redução do nível plasmático de potássio) e até a hipovolemia (redução do volume de sangue no corpo).

ALHO

A planta conhecida por suas propriedades antibacterianas e imunoestimulantes (ajuda no sistema imunológico), pode ter interações com anticoagulantes (varfarina), aumentando o risco e o tempo de sangramento; hipoglicemiantes, potencializando seus efeitos, aumentando o risco de episódios hipoglicêmicos (queda do nível de glicose [açúcar] no sangue); relaxantes musculares e antirretrovirais, diminuindo suas concentrações e efeitos.

BOLDO

Utilizado para problemas hepáticos (fígado) e gastrointestinais (estômago e intestino), tem como principal componente a boldina, inibidora de agregação plaquetária; portanto, pacientes em uso de anticoagulantes não devem ingerir o chá dessa planta, sob risco de sangramentos.

CAFÉ

Um dos alimentos mais consumidos no Brasil, esse estimulante do sistema nervoso central causa a liberação de catecolaminas, aumentando a frequência cardíaca e a pressão sanguínea, opondo-se, assim, aos efeitos de betabloqueadores (propranolol ou metoprolol) médicamentos para tratamento de Hipertensão Arterial (pressão alta).

CAMOMILA

Seu chá com propriedades relaxantes pode interagir com anticoagulantes, aumentando o risco de sangramento, e com alguns sedativos, intensificando seus efeitos depressores do sistema nervoso central.

CANELA

A planta com propriedades termogênicas e reguladoras de insulina tem risco de interação com hipoglicemiantes  (medicamentos para reduzir o nível de glicose [açúcar] no sangue) e, em alguns casos, há aumento da pressão arterial.

CÁSCARA SAGRADA

Utilizada principalmente como laxante, seu uso prolongado resulta na perda de potássio, podendo causar sua deficiência se ingerida com diuréticos. Se utilizada com antiarrítmicos (medicação que regula frequencia de batimentos do coração), como a digoxina, pode potencializar arritmias e aumentar a toxicidade digitálica (intoxicação).

CARQUEJA

A planta com propriedades digestiva e antiácida não é recomendada a pacientes em uso de anti-hipertensivos (medicação para Hipertensão arterial sistêmica), sob risco de elevação do efeito do fármaco, necessitando de reajuste na dose.

CHÁ VERDE

O chá que estimula o metabolismo, por conter cafeína, diminui a absorção de ferro pelo organismo e pode ter leve interação com hipoglicemiantes (medicamentos para reduzir o nível de glicose [açúcar] no sangue) e álcool; moderada com Cimetidina, Adenosina e Dipiridamol; e grave com Efedrina.

ERVA-CIDREIRA

Utilizada para tratamento de distúrbios do sono, a erva pode interagir com outros fitoterápicos, com depressores do sistema nervoso e com hormônios tireoidianos, modificando os efeitos desejados das terapias.

ESPINHEIRA-SANTA

Com eficácia no combate às dores estomacais, apresenta interação com álcool, erva-cidreira e depressores do sistema nervoso central, potencializando seus efeitos sedativos.

EUCALIPTO

Com ações terapêuticas antibacterianas, pode causar dificuldades no raciocínio se administrado concomitantemente a medicamentos atuantes no sistema nervoso central, como benzodiazepínicos, antidepressivos e álcool. Com propriedades hipoglicemiantes, deve ser evitado ao se utilizar antidiabéticos.

ERVA-MATE

Bebida estimulante típica do Rio Grande do Sul, é capaz de interagir com anti-hipertensivos (atenolol) e calmantes (lorazepam, clonazepam, bromazepam), reduzindo seus efeitos.

GUACO

Utilizado como fitoterápico expectorante e broncodilatador, pode interagir com alguns antibióticos (tetraciclinas, cloranfenicol, gentamicina, vancomicina e penicilina) e anticoagulantes, potencializando seus efeitos.

GENGIBRE

Com benefícios digestivos e bactericidas, essa raiz aumenta a acidez estomacal, interferindo na absorção de alguns medicamentos. Quando utilizado com anticoagulantes, aumenta os riscos de hemorragia e, quando com antiarrítmicos, pode interferir em seus efeitos. Ademais, pode diminuir os níveis de açúcar no sangue, aumentando os efeitos de hipoglicemiantes e de insulina.

GINSENG

Com propriedades contra insônia, varizes e dores articulares, esse fitoterápico não deve ser consumido concomitantemente a anticoagulantes nem IMAOS (inibidores de monoamina oxidase) usados em tratamentos para depressão, pois potencializa seus efeitos.

HORTELÃ

Utilizada como expectorante e redutora de cólicas intestinais, reduz a absorção de ferro pelo organismo, não recomendada para pacientes anêmicos. Além disso, interage com estatinas (como a sinvastatina) podendo ocasionar danos hepáticos (fígado).

MARACUJÁ

A fruta conhecida por suas propriedades calmantes pode intensificar a ação de ansiolíticos (medicamentos para ansiedade) e a sonolência promovida por benzodiazepínicos. Se utilizado com anticoagulantes ou anti-inflamatórios, poderá provocar sangramentos.

QUEBRA-PEDRA

Com propriedades anti-inflamatórias no trato urinário, não é recomendado seu uso junto com diuréticos, devido à potencialização de seus efeitos,podendo levar à hipocalemia (redução do nível plasmático de potássio) .

UNHA-DE-GATO

Com qualidades anti-inflamatórias, essa erva,  se administrada juntamente com antiácidos ou imunossupressores (como a ciclosporina),  pode inverter os efeitos esperados desses medicamentos.

 

Design por Ana Paula de Lima

 

Carolina Perez Montenegro – Acadêmica de Medicina Ufscar

Uliana Pereira Da Silva Lisboa  – Acadêmica de Medicina Ufscar

Eduardo Santinho Portugal e Silva  – Médico Assistente do Hospital Universitário E Preceptor Do Curso De Medicina Da Ufscar

Profa Dra Claudia Aline Valente Santos – Revisão Para Publicação

 

 

Veja também: 

 

Referências bibliográficas:

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