O novo coronavírus pode ser transmitido por meio de partículas infectantes projetadas durante a fala, respiração, tosse ou espirro, por pessoas infectadas com pouco ou nenhum sintoma. Estas partículas podem atingir boca, nariz e olhos de outras pessoas e/ou serem inaladas. Ademais, o vírus pode permanecer ativo em diferentes superfícies com durações variadas e com altos índices de transmissibilidade

Figura 1: Máscara artesanal de tecido dupla face.

Diante disso, o uso ampliado de máscaras por toda a população vem se tornando uma importante medida adicional de proteção visto que, nesta pandemia, não há como garantir que pessoas, mesmo sem nenhum sintoma, não estejam transmitindo coronavírus. 

Estudos mostram que o uso generalizado de máscaras (cirúrgicas ou de diferentes tipos de tecido, conforme ilustra a Figura 1) reduz a transmissão de partículas infectantes em ambientes coletivos (tais como supermercados, farmácias etc.) por meio da filtragem destas partículas, conforme demonstra a Figura 2.

Com a falta de máscaras em decorrência da pandemia, o Ministério da Saúde divulgou recentemente uma nota técnica para orientar o uso ampliado e a produção caseira de máscaras de tecido

Figura 2: Probabilidade de contágio com o uso ampliado de máscara.

 

São destacados, a seguir, pontos importantes sobre máscaras artesanais de tecido:

  • são de uso individual;
  • devem ser confeccionadas preferencialmente com tecidos 100% algodão (este tipo de tecido possui a trama mais fechada e é “respirável”);
  • precisam ser confortáveis e cobrir totalmente o nariz e a boca, sem que sobrem espaços abertos nas laterais;
  • devem ter duas camadas de tecido (ou seja, devem ser dupla face).
  • durante a confecção, pode ser adicionado papel filtro (de café, como ensina o professor Henrique Eisi neste vídeo) ou combinadas camadas de diferentes tecidos (desde que sejam respiráveis e resultem uma máscara bem-ajustada ao rosto, sem que fiquem espaços nas laterais);
  • cada pessoa deve dispor de quatro ou mais máscaras para poder usar e trocar, higienizando-as frequentemente;
  • devem ser usadas enquanto estiverem secas e em boa condição; caso contrário (por exemplo, se estiverem largas, mal-ajustadas, desconfortáveis etc.) devem ser substituídas;
  • devem ser trocadas sempre que estiverem úmidas (devido a espirro, tosse ou muita fala);
  • uma vez ajustada à face, deve-se evitar tocar a máscara com as mãos ou, então, buscar tocar apenas nas suas extremidades. Evitar tocar especialmente na parte que cobre a boca e o nariz.
  • higienize as mãos antes e depois de colocar a máscara e antes e depois de sua remoção;
  • nunca deixe a máscara no pescoço, na testa ou pendurada na orelha;
  • ao remover a máscara do rosto, toque apenas nos elásticos ou tiras da amarração. Depois de retirá-la, envolva-a em saco plástico até que possa ser higienizada;
  • a máscara deve ser higienizada com água e sabão, ou detergente ou solução diluída de água sanitária por um período de 20 a 30 minutos;
  • depois de higienizada, a máscara deve ser exposta ao sol para secagem e, preferencialmente, ser passada a ferro;
  • a máscara limpa deve ser acondicionada individualmente em saco plástico limpo, de uso exclusivo.

Como fazer a solução diluída de água sanitária?

Para destruir o coronavírus precisamos transformar a água sanitária entre 2,0 e 2,5% (confira esta informação no rótulo da embalagem) em solução de ácido hipocloroso (0,04%) misturando uma parte da água sanitária em 50 partes de água. Por exemplo: 10ml de água sanitária servem para 500ml de água limpa.

É importante destacar que o uso de máscaras artesanais é complementar às outras medidas de proteção na pandemia, tais como: manter dois metros de distância de uma pessoa para outra, o distanciamento social ampliado (ficar em casa), higienizar as mãos, ter etiqueta respiratória, higienizar ambientes e equipamentos, afastar do trabalho os funcionários testados positivos para a Covid-19 ou sintomáticos e usar outros equipamentos de proteção. 

O uso de máscaras artesanais não altera a recomendação de uso de máscaras cirúrgicas e respiradores para categorias específicas de trabalhadores em ambientes de instituições de saúde. 

Mas qual é a diferença entre a máscara cirúrgica e o modelo respirador

De acordo com a RDC 356, de 23/03/2020, publicada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), máscaras cirúrgicas devem:

  1. ser confeccionadas de tecido não tecido (TNT) específico para artigos de uso odonto-médico-hospitalar;
  2. possuir no mínimo uma camada interna e uma camada externa;
  3. ter um elemento filtrante repelente a fluidos, com eficiência de filtragem de partículas (EFP) maior que 98% e com eficiência de filtragem bacteriológica (BFE) maior que 95%;
  4. ter um clipe nasal maleável para ajuste no contorno do nariz e bochechas; e
  5. atender os requisitos da ABNT NBR 15052/2004 e ABNT NBR 14873/2002. 

Portanto, a máscara cirúrgica é indicada para proteger o trabalhador de saúde de infecções por inalação de gotículas transmitidas à curta distância e da projeção de sangue ou de outros fluidos corpóreos que possam atingir face, vias respiratórias, olhos e boca. Como as máscaras cirúrgicas não foram necessariamente projetadas para selar firmemente o rosto, o potencial de vazamento de ar ao redor das bordas existe

Já os “respiradores” filtrantes para partículas (PFF) classe 2, N95 ou equivalentes são equipamentos de proteção individual (EPI) projetados para ajudar a reduzir a exposição do usuário a partículas transmitidas pelo ar (aerossol) e para se ajustarem adequadamente à face do profissional, conforme ilustra a Figura 3.

Figura 3: Respirador N95

Os respiradores são considerados purificadores de ar, com eficiência de filtração de 95% testada com aerossol de cloreto de sódio. 

De acordo com a RDC 356, respiradores PFF2, N95 ou equivalentes devem ser fabricados parcial ou totalmente com material filtrante que suporte o manuseio e o uso durante todo o período para o qual foi projetado, de forma a atender aos requisitos da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) determinados nas NBRs 13698:2011 e 13697:2010. 

No Brasil, o PFF2 também é designado como protetor facial filtrante (PFF) ou equipamento de proteção respiratória (EPR) e está projetado para proteger trabalhadoras(es) contra vários tipos de materiais particulados (como poeiras, névoas e fumos encontrados, por exemplo, em ambientes de trabalho de áreas agrícolas, industriais e nos ambientes de serviços de saúde possivelmente contaminados com partículas aerossolizadas.

A PFF2 pode possuir ou não a válvula de exalação. Esta válvula facilita a saída do ar exalado, permitindo, também, a saída de gotículas e, portanto, não deve ser usada quando há a necessidade de se trabalhar em campo estéril. A válvula de exalação deve ser protegida e também ser resistente a poeiras e danos mecânicos.

Existem máscaras parecidas com respiradores e que não foram projetadas para proteger a pessoa usuária de aerossóis ou que não foram testadas eficientemente para essa finalidade. Portanto, elas não devem ser consideradas equipamentos substitutos dos respiradores.

As formas de uso, manipulação, armazenamento, remoção e descarte seguro da N95 ou do PFF2 devem seguir as recomendações do fabricante e da Anvisa, conforme demonstra o vídeo elaborado pela Agência e publicado pela Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal.  

Profissionais de saúde precisam receber máscaras cirúrgicas e respiradores em quantidade suficiente para uso e substituição durante suas jornadas de trabalho. Também precisam de treinamento específico para colocação, remoção e descarte seguros destes equipamentos. Além disso, quando estiverem fora do ambiente laboral, do exercício profissional e em locais públicos, profissionais de saúde devem usar máscaras artesanais.

Para conferir mais informações sobre máscaras, respiradores e outros equipamentos para saúde, acesse o portal da Anvisa e a Gerência de Tecnologia de Materiais de Uso em Saúde (GEMAT).

 

Autoria de
Vera Regina Lorenz

Revisão de Conteúdo por
Cristiane Shinohara Moriguchi de Castro
Débora Couto Carrijo
Eduardo Pinto e Silva
Juliana Morais Menegussi
Mariana de Almeida Fagá
Vera Regina Lorenz
Vivian Aline Mininel

Créditos da imagem: Alexander Droeger no Pixabay (imagem principal); Julita no Pixabay (figura 1); InformaSUS – Ufscar (figura 2); Visuals no Unsplash (figura 3).

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