Autoria: Cairo Henrique Lima

Vínculo acadêmico: Estudante de graduação em Ciências Sociais – Campus São Carlos

Descrição da obra: A transfiguração de nossos desejos no hoje não para, desse modo, o anseio de se manter em pé e tomar consciência do que foi a trajetória exige um espelho, a literatura, nesse caso, a poesia, oferece a oportunidade de rever os porquês do eu.

Temática(s): Questões étnica-raciais/afro-brasileiras/diaspóricas e afins

Expressão: Literatura

Sujeito diaspórico

Exausta, a safra se entrega às mãos do agricultor,
Que esmigalhando os grãos premedita o terror,
Mutação dos cabelos do milho aos da cidade,
Transgênicos suicidas, informação sem verdade,

Responsabilidade existencialista,
Parem de ocultar a genealogia egípcia,
De Kemet, sem gergelim para os glutões culturais,
Faturas que inculcam princípios coloniais,

Sem vínculo, esse racismo chega a ser intrínseco,
Vernacular, a História esta prestes a se fragmentar,
Em raios, disparos da expressão política
De culturas suturadas com tortura sem vítimas,

Mas o Eu é polissêmico e cômico,
Na próxima esquina a crítica já pegou no sono,
Feito Alex e o Behaviorismo,
Cérebros perfurados absorvem Absinto,

E sinto dizer, a vida nem sempre é tão triste,
Nem sempre o mal com que conversa a nossa cabeça existe,
Insista em construir versões alternativas,
Daquilo que tu acha que é a vida ser vivida,

Divague, flutue e pouse nos líquens das árvores,
Nos mármores do inferno não lembraremos do caos daqui,

Dos cadáveres boiando no Ganges,
Da hipnose que nos leva a túmulos em pirâmides,

Trâmites me expulsaram daquele tal clã,
Já vinha vendo que esse seu papo já tá de manhã,
Tão vã foi aquela minha filosofia que hoje em dia
Já não sei quem alisa e quem arrepia,

Compenetrado em um quadro de Frida Khalo,
Ajusto o gargalo dos olhos e arregalo,
Assopro dentes-de-leão, percebo que de leite são,
E que observam-me mil olhos na cauda de um Pavão,

Rostos desfigurados retratam a multidão,
Sentidos figurados demarcam a exclamação,
Que diz: “Nem todo o esforço do mundo vai te trazer
A completude daquilo que anseia todo o seu ser”,

Mesmo com o dizer do Não-Ser a fazer efeito no peito,
Saber nos leva a poder fazer o que deve ser feito,
E a despeito das represálias eufóricas,
O ser se redefine na lógica diaspórica.

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