Gestantes e mulheres no pós-parto (puérperas) passaram a ser do grupo de risco para COVID-19, pois os estudos foram mostrando que a gestação e o pós-parto aumentam o risco de complicações e morte pela doença. Pesquisadores do Brasil e do mundo têm alertado para a seriedade do problema desde o ano passado, sobretudo pelo aumento expressivo do número de mortes maternas provocadas por COVID-19.

Esta predisposição às formas graves da COVID-19, provavelmente se dá pelas alterações inflamatórias e sanguíneas da própria da gestação. Assim, mulheres grávidas contaminadas pelo SARS-CoV-2 acabam precisando de cuidados mais dependentes de um aparato tecnológico e, portanto, mais hospitalização e, por vezes necessidade maior de Unidades de Terapias Intensivas. Isto ocorre principalmente nas situações em que possuem comorbidade (obesidade, diabetes e hipertensão).

 

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Os sintomas da infecção por SARS-CoV-2 nas gestantes e puérperas, assemelham-se ao da população em geral: tosse, febre (T>38°C), fadiga (cansaço) e dispneia (falta de ar). Tem sido observado em menor frequência a perda de paladar e olfato.

A atenção em saúde cabe garantir o acesso e qualidade da assistência no ciclo gravídico puerperal, com vistas a uma experiência positiva da gestação, parto e puerpério, bem como da redução de adoecimentos e mortes de mulheres nesta condição. Cabe destacar ser a assistência no pré-natal e parto de desdobramento à vida e saúde de crianças. A atenção pré-natal de qualidade e oportuna é fundamental para o alcance de bons desfechos, não sendo diferente com a COVID-19.

Adotar medidas de proteção contra o contágio pelo SARS-CoV-2 é importante, assim como identificar e atuar precocemente diante de sinais e sintomas sugestivos da infecção por ele. Assim, a ida regular às consultas de pré-natal é primordial, bem com o compromisso do profissional em relação à sua execução, quando cabem ações de educação em saúde, atenção a sinais sugestivos de infecção por SARS-CoV-2, inclusive efetivando busca da mulher diante sua ausência na unidade. Hoje, os documentos orientadores das práticas de saúde recomendam pronta coleta de exame para confirmar a existência da infecção pelo SARS-CoV-2 (Exame de RT-PCR), mas que não se aguarde o resultado para as condutas. Os quadros suspeitos ou confirmados com sintomas leves seguem sendo acompanhados pelos serviços de saúde de baixa complexidade e os quadros mais graves devem ser remetidos a atenção hospitalar. São sinais sugestivos de um quadro mais grave: desconforto e esforço respiratório claramente observável, como por exemplo dificuldade de falar, cansaço aos pequenos esforços, narinas ‘alargando’ para respirar, além de um número de respirações superior a 24 movimentos por minuto e uma saturação baixa, por vezes identificada com arroxeamento de extremidades. Estes sinais podem sugerir a presença de um quadro de infecção pulmonar extensão mais importante, inclusive na linha de uma pneumonia. O SARS-CoV-2 desencadeia pneumonia.

 

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Já é conhecido que de modo geral pneumonias maternas podem estar associadas a partos prematuros; baixo peso (<2500grs) da criança ao nascimento, menores escores de Apgar no quinto minuto de vida.

Ao longo da pandemia, discussões e questionamentos acerca do aumento de cesarianas sem indicação clínica estão presentes. Recomendações internacionais apontam que a infecção por SARS-CoV-2 não é indicação de antemão para parto cesáreo. As condições clínicas da mulher, idade gestacional e condições/viabilidade fetal precisam ser avaliadas individualmente para a tomada de decisão. O parto cesáreo guarda relação com prematuridade e baixo peso ao nascer.

Às mulheres gestantes cabe a procura imediata do serviço de saúde diante sinais e sintomas sugestivos de infecção pelo SARS-CoV-2 e, aos profissionais de saúde cabe acolhimento pronto e compromissado desta mulher, não provocando sua peregrinação nos serviços de saúde. A porta de entrada posta é a unidade de saúde da atenção básica, popularmente conhecida como ‘postinho’. A todo município está indicado a formulação de um fluxo de atendimento para estas gestantes com sinais sugestivos de infecção pelo SARS-CoV-2, com ampla visibilidade de divulgação dele, para que mulheres não peregrinem em busca de atenção, bem como para que profissionais não neguem a atenção a ela sob a justificativa de não ser ali a entrada no sistema de saúde.

 

Design por Amanda Penetta

 

Façamos todos nossa parte!!!

Sendo possível evite sair de casa; evite ao máximo estar com pessoas fora do convívio da sua casa (festinhas/churrascos com grupos pequenos também são arriscados), todos acima de 2 anos devem usar máscaras (de preferência as cirúrgicas, ou de tecido triplo bem ajustada à face), lave as mãos com rigor, use álcool gel a 70%, mantenha a distância de 1,5m (mais ou menos 2 braços) das pessoas quando precisar estar junto delas. Diante da oportunidade e possibilidade, vacine-se!

Lembrem-se pessoas contaminadas sem sintomas ou que já foram vacinadas também podem espalhar o vírus.

Estudos até o momento mostraram que não existe Tratamento Preventivo ou Precoce, portanto se una ao movimento de não disseminar o Coronavírus!

 

Referências:

Nakamura-Pereira M, Knobel R, Menezes MO, Andreucci CB, Takemoto MLS. The impacto f the COVID-19 pandemic on maternal mortality in Brazil: 523 maternal deaths by acute respiratory distress syndrome potencially associated with SARS-CoV2. Int J Gynaecol Obstet. 2021 Feb 11. Doi: 10.1002/ijgo.13643. Online ahead of print.

Poon LC, Yang H, Kapur A, Melamed N, Dao B, Divakar H, et al. Global interim guidanceoncoronavirusdisease 2019 (COVID-19) during pregnancy and puerperium from FIGO and all iedpartners: information for healthcareprofessionals. Int J Gynaecol Obstet. 2020 (Apr 4). doi: 10.1002/ijgo.1356

Takemoto MLS, Menezes MO, Andreucci CB. Nakamura-Pereira M, Amorim MMR, Katz L, Knobel R. The tragedy of COVID-19 in Brazil: 124 maternal death and counting. Int J Gynaecol Obstet. 2020; 151(1): 154-156.

World Health Organization. Coronavirusdisease (COVID-19) situationdashboard. 2020 [cited 25 May 2020]. Availablefrom:  https://covid19.who.int/

 

Autoras do Texto:

Dra. Jamile Claro de Castro Bussadori

Dra. Monika Wernet

 

Revisão do Texto:

Dra. Déborah Carvalho Cavalcante

Dra. Patrícia  Carla de Souza Della Barba

 

Crédito da imagem: Joey Thompson em Unsplash 

 

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Categoria: Saúde da criança

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