Como incluir pessoas mais velhas no mundo digital e, assim, também contribuir para minimizar os impactos da pandemia?

Essa foi a questão que mobilizou um grupo de estudantes a construir uma Cartilha Informativa, com o objetivo de orientar pessoas idosas – ou mesmo familiares e amigos – sobre alguns recursos de smartphones (telefones que têm várias funções além de fazer ligações e chamadas), com orientações gerais e imagens explicativas que facilitam a compreensão pelo público.

A cartilha inclui recursos de pesquisa, comunicação em rede social (WhatsApp), gravação de contatos, dicas sobre as possibilidades do uso do smartphone e proteção contra golpes nas redes. Para acessá-la, basta clicar aqui.

A troca de informações entre gerações e o uso de aplicativos de celulares podem contribuir para os idosos lidarem melhor com a pandemia

A necessidade de distanciamento social, devido à pandemia da COVID-19, reforçou a importância da alternativa tecnológica para a superação do distanciamento físico, como um recurso para adaptação das atividades de trabalho, educação, lazer, saúde, cuidado, interação social e outras.

Pessoas idosas, mais suscetíveis ao agravamento dos sintomas da doença, viram-se, de uma hora para a outra, com a necessidade desse distanciamento físico e social. Entretanto, com as dificuldades prévias no manejo das tecnologias, como o uso de smartphones, muitos ainda enfrentam prejuízos em suas atividades e interações.

Essas dificuldades, por sua vez, vão na contramão do movimento da sociedade, em que o uso dos smartphones e da internet têm se intensificado a cada dia, com atualizações e recursos diferentes que possibilitam um novo e dinâmico modo de comunicação, além do auxílio em diversas tarefas do nosso cotidiano.

Assim, a gerontotecnologia, que “refere-se ao estudo multidisciplinar do envelhecimento e da tecnologia com o objetivo de adaptar os ambientes nos quais vivem e trabalham os idosos e seus cuidadores” (MARTINS, 2017, pág. 18), busca ajudar a população idosa a entrar em contato com a tecnologia e se beneficiar dela. Nessa perspectiva, tornar acessível a compreensão das novas tecnologias de comunicação e interação auxilia pessoas idosas na adaptação a essa nova realidade, evitando que o distanciamento social se transforme em isolamento emocional, diretamente associado a piores estados de saúde física e mental.

Para estimular o engajamento no aprendizado das tecnologias é importante:

  • Reservar um tempo para que a pessoa idosa aprenda com calma a atividade de manuseio do aparelho celular.
  • Não ridicularizar o idoso por não saber usar as funções do aparelho. Os smartphones são muito recentes na história humana.
  • Se perceber que a pessoa está constrangida, busque identificar algo que ela faça e você não saiba.  Combine uma troca de aprendizagem! O Google nem sempre existiu, meu jovem! As pessoas que hoje são idosas sabiam ir de um lugar a outro, prever o clima e fazer novas receitas apenas pela oralidade!
  • Tente ensinar uma função por vez e teste o aprendizado.
  • Se puder, imprima a cartilha e deixe sempre com a pessoa.
  • Para facilitar a fixação da aprendizagem ou para esclarecer dúvidas, tire prints ou mande áudios sobre os conteúdos da cartilha.
  • Faça disso um momento de troca prazeroso.

 

Design por Ana Paula de Lima

 

Referências:

MARTINS, F. M. G. Aceitação das Tecnologias pelos mais Velhos: Um estudo Exploratório em Gerontotecnologia. Dissertação para Curso de Mestrado em Gerontologia Social; Instituto Politécnico de Viana do Castelo. Setembro, 2017.

PRODEST. Inclusão digital para idosos: benefícios e cuidados com o acesso à internet. 2020. Disponível em: https://prodest.es.gov.br/inclusao-digital-paraidosos-beneficios-e-cuidados-com-o-acesso-a-internet. Acesso em: 13 out. 2020.

VELHO, F.D.; HERÉDIA, V. O idoso em quarentena e o impacto da tecnologia em sua vida. Rosa dos Ventos Turismo e Hospitalidade, 12 (3 – Especial Covid-19), p.1-14, 2020.

Autores:

Bruna da Silva Barroso – acadêmica de Terapia Ocupacional – UFSCar
João Vitor Arnosti de Castro – acadêmica de Terapia Ocupacional – UFSCar
Thaynara da Silva Bertossi – acadêmica de Terapia Ocupacional – UFSCar
Vanessa Carneiro Borges – acadêmica de Terapia Ocupacional – UFSCar

Claudia A Valente Santos – docente do curso de Terapia Ocupacional na UFSCar

Este material foi produzido na disciplina de Terapia Ocupacional Aplicada à Gerontologia.

Crédito da imagem: Georg Arthur Pflueger em Unsplash 

 

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Categoria: Idosos e COVID-19

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